Geral

IGP-10 dispara 2,94% em abril, puxado por efeitos da guerra no Oriente Médio

Índice da FGV supera expectativas do mercado e reflete impactos do conflito entre EUA, Israel e Irã nos preços ao produtor e consumidor.

15/04/2026
IGP-10 dispara 2,94% em abril, puxado por efeitos da guerra no Oriente Médio
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-10) registrou forte alta de 2,94% em abril , após recuar 0,24% em março, conforme divulgado nesta quarta-feira (15) pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O avanço da inflação neste mês é direcionado aos impactos diretos e indiretos da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, segundo a FGV.

O resultado ficou acima do teto das estimativas dos analistas do mercado financeiro consultados pelas Projeções Broadcast, que previam um máximo de 2,73%. O piso das projeções era de 1,00%, com mediana positiva de 1,38%.

Com o resultado de abril, o IGP-10 acumula valorização de 2,57% no ano e aumento de 0,56% nos últimos 12 meses.

Entre os componentes do índice, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-10) avançou 3,81% em abril, revertendo a queda de 0,39% registrada em março. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-10) subiu 0,88% após alta de 0,03% no mês anterior. Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-10) teve incremento de 0,88%, ante 0,29% em março.

“A expressiva alta de 3,81% nos preços ao produtor decorre dos desdobramentos da guerra no Oriente Médio. Seus efeitos extrapolam os derivados de petróleo e afetam insumos relevantes de diversos setores da economia, como o ácido sulfúrico e os adubos ou fertilizantes, cujos preços registraram elevações de 29% e 6,8%, respectivamente. Além disso, fatores contextuais também impactaram o setor agropecuário, com o tomate apresentando aumentos em cerca de 20%, tanto no IPA quanto no IPC”, explicou Matheus Dias, economista do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV), em nota oficial.

Segundo o economista, os preços ao consumidor também sentiram o impacto do conflito, com destaque para a gasolina como principal influência. “De forma semelhante, os custos da construção em março refletiram de maneira significativa os reajustes dos combustíveis e contribuições de petróleo, os quais afetaram os preços de produtos com elevado consumo de transporte, como cimento, massa de concreto e bloco de concreto.”

O período de coleta de preços para o índice de abril foi de 11 de março a 10 de abril.