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Relator da CPI reage e chama de 'ameaça' as críticas de ministros do STF após derrota de relatório
Alessandro Vieira afirma que manifestações de ministros do Supremo configuram tentativa de constrangimento ao trabalho parlamentar.
O senador Alessandro Vieira (MDB), relator da CPI do Crime Organizado, rebateu publicamente as críticas feitas por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) após informar o indiciamento de três membros da Corte. Para Vieira, as manifestações dos magistrados representam ameaça e tentativa de constrangimento ao exercício parlamentar.
Vieira propôs o indiciamento dos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes no contexto do caso Banco Master. Segundo ele, não se curvaria “a cidadão, delegado ou ministro”, reforçando a autonomia do Legislativo.
De acordo com a Folha de S.Paulo , o relatório de Vieira, que apontava a blindagem de investigações e envolvimento dos ministros, foi rejeitado por seis votos a quatro após articulações entre governo federal, membros do STF e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Após a derrota, Vieira criticou ministros por, segundo ele, confundirem a instituição do STF com suas figuras pessoais e se colocarem como imunes a erros.
As respostas do Supremo foram contundentes. O ministro Gilmar Mendes ironizou o relator, indicando que ele teria "esquecido de indiciar seus colegas de milícia", e classificou o pedido como um "erro histórico". Já Toffoli afirmou que o relatório configura abuso de poder com potencial de gerar inelegibilidade, acusando Vieira de agir por motivações eleitorais.
Durante a sessão e em entrevistas, Vieira respondeu afirmando que Gilmar e Toffoli verbalizaram ameaças de cassação e processos. Para o senador, os ministros têm se habituado a interferir no Legislativo e a fazer manifestações de cunho político, recorrendo à ameaça como expediente.
Vieira ainda acusou Gilmar de adotar um “modus operandi” que mistura politização de decisões técnicas e intimidação pública, ressaltando que a atuação não seria isolada, mas parte de uma estrutura de blindagem dentro da Corte. Segundo ele, questionar ministros de forma técnica não deveria ser interpretado como afronta.
Após a rejeição do relatório, Vieira criticou as dores que derrubaram o texto e afirmou que as investigações envolvidas no Supremo fazem parte de uma pauta "que pode ser adiada, mas não evitada". Ele acrescentou que o país, em algum momento, terá “maturidade institucional” para enfrentar o tema.
Em suas redes sociais, o relator destacou que o resultado das votações deve ser respeitado e que caberá ao presidente da CPI decidir o destino do material colhido.
Segundo apuração, a comissão, criada para investigar o crime organizado, acabou sendo utilizada por senadores como forma de contornar resistências à abertura de uma CPI específica sobre o Banco Master e suas ligações com autoridades, inclusive ministros do STF.
Por Sputinik Brasil
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