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Brasil tipo exportação: do SUS ao Pix, o 'jeitinho brasileiro' que vem inspirando outras nações

14/04/2026
Brasil tipo exportação: do SUS ao Pix, o 'jeitinho brasileiro' que vem inspirando outras nações
Foto: © Foto / Julia Prado / Ministério da Saúde

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, anunciou na semana passada que, a partir de janeiro de 2027, o país contará com um sistema universal de saúde, uma clara inspiração no Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro.

Já o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, pediu publicamente nas redes sociais, também na semana passada, que o governo brasileiro amplie o Pix internacional, defendendo a adoção do sistema de pagamentos instantâneos verde e amarelo como alternativa a mecanismos financeiros internacionais tradicionais.

Mas não é de hoje que o Brasil exporta soluções que se tornam referências de eficiência e inclusão social. A Sputnik Brasil listou as políticas públicas mais relevantes que vem sendo replicadas por outras nações e que colocam o Brasil na vitrine mundial:

1. Saúde gratuita para todos

Dentro do Sistema Único de Saúde, com capacidade de oferecer atendimento universal e gratuito em um país de dimensões continentais, a Estratégia Saúde da Família (ESF) também municia outros modelos de atenção primária mundo afora.

Trata-se de uma estratégia de prevenção e cuidado, criada na década de 1990, com foco em visitas domiciliares de agentes comunitários aos pacientes como forma de prevenir doenças e reduzir custos hospitalares. Dentre os países que já têm parcerias com o Brasil para estruturar seus próprios sistemas de atenção primária baseados no SUS, destacam-se Angola e Moçambique.

O sistema de saúde público britânico, embora mais antigo e robusto, também tem aprendido com o modelo brasileiro, de acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com visitas de pesquisadores do Reino ao Brasil e de agentes comunitários à ilha europeia para aprimorar estratégias como redução de internações hospitalares através do monitoramento domiciliar.

2. Bolsa Família

Programa de transferência de renda condicionada, exigindo a presença escolar de crianças e seu acompanhamento vacinal, o Bolsa Família já serviu de base para cerca de 20 países, segundo o Banco Mundial, que apoia a iniciativa.

Países como Chile, México, África do Sul, Turquia e Marrocos adaptaram o modelo brasileiro às suas realidades, com foco na quebra do ciclo da pobreza através da educação e saúde. Mais recentemente, a cidade de Nova York anunciou o programa "Opportunity NYC", de transferência condicionada de renda, modelado no Bolsa Família e no equivalente mexicano.

3. Tecnologia financeira: o fenômeno Pix

Sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central do Brasil, o Pix é considerado um dos casos de digitalização financeira mais bem-sucedidos da história recente.

A Colômbia e o Uruguai estão em processos avançados de cooperação com o Banco Central brasileiro para adotar protocolos similares. Já o Canadá e nações da União Europeia demonstraram interesse em entender o código e a regulação por trás da ferramenta para replicar a gratuidade e a velocidade em seus territórios.

Serviço criado em 2020, o Pix beneficia cerca de 170 milhões de pessoas, trazendo milhões de brasileiros para o sistema financeiro formal.

A Índia, que possui sistema próprio (UPI), tem trocado informações com o Brasil sobre como interoperar as duas modalidades, para que, no futuro, brasileiros possam fazer "Pix" na Índia e vice-versa, de acordo com a mídia especializada.

4. Energia e engenharia: exploração em águas profundas

A Petrobras detém algumas das tecnologias mais avançadas do planeta para a exploração de petróleo em águas ultraprofundas (pré-sal). Para isso, o Brasil desenvolveu robótica e sistemas de contenção de pressão que são padrão ouro na indústria global.

A tecnologia da Petrobras é exportada não apenas como conhecimento, mas como equipamentos fabricados aqui. Um exemplo é a tecnologia desenvolvida para o pré-sal conhecida como "árvores de Natal molhadas", sistemas de válvulas submarinas de alta pressão, que é usada em campos de petróleo no golfo do México operados por empresas como a Chevron.

Além disso, o conhecimento em engenharia offshore brasileira está sendo agora aplicado no desenvolvimento de energia eólica marítima em outros países.

5. Tecnologia e democracia: urnas eletrônicas

O sistema de votação e apuração brasileiro, utilizado desde 2000, é um dos mais rápidos do mundo, sendo observado de perto por delegações internacionais em todas as eleições. Utiliza o Registro Digital do Voto (RDV), ferramenta de segurança que permite a recontagem dos votos se necessário, substituindo o voto impresso e dispensando a intervenção humana. Em 2014, uma nova atualização implementou a biometria, para registrar as digitais e assinaturas eletrônicas.

Nos últimos 15 anos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mais de 500 visitantes, de 50 países, foram recebidos pela Justiça Eleitoral brasileira para conhecer a tecnologia e o processo eleitoral brasileiros.

De acordo com o TSE, vários países manifestaram interesse no sistema de votação eletrônico do Brasil, como México, França, Costa Rica e Suriname.

6. Meio ambiente

O sistema de monitoramento por satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) monitora desmatamento em tempo real para a preservação de florestas tropicais globais.

Com política de "software livre" e "dados abertos", o Brasil cede o uso de seus satélites e exporta a metodologia e o software, como o TerraAmazon, para que outros países criem seus próprios sistemas nacionais. Como qualquer pessoa pode checar os dados, os relatórios do sistema gozam de credibilidade internacional.

Através da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), o Brasil ajudou a implementar salas de monitoramento nos vizinhos que compartilham a floresta, além de treinamento técnico e acesso a ferramentas de monitoramento para harmonizar dados com os do Brasil e combater o desmate transfronteiriço.

A República Democrática do Congo (RDC) também adotou metodologias inspiradas na tecnologia brasileira — no caso, no sistema Prodes, que mede a taxa anual de desmatamento, para gerenciar suas reservas florestais. Gabão e Congo participaram de programas de transferência de tecnologia e capacitação técnica promovidos pelo INPE.

Já Vietnã e Indonésia enviaram técnicos ao Brasil e receberam missões do INPE para aprender sobre o Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (Deter), que emite alertas de desmatamento em tempo real para reduzir o tempo de resposta contra o corte ilegal de madeira.


Por Sputinik Brasil