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Na contramão mundial, FMI eleva projeção de crescimento do Brasil, apesar de conflito no Irã

País deve crescer 1,9% em 2024, impulsionado pelo petróleo, enquanto cenário internacional sofre com guerra e energia cara.

Com informações da Sputinik Brasil 14/04/2026
Na contramão mundial, FMI eleva projeção de crescimento do Brasil, apesar de conflito no Irã
FMI eleva previsão de crescimento do Brasil para 1,9% em 2024, impulsionado pelas exportações de petróleo. - Foto: © Stéferson Faria/Agência Petrobras/Fotos Públicas

Enquanto a guerra no Oriente Médio pressiona a economia global e reduz expectativas de crescimento, o Brasil surge como exceção no relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI), divulgado nesta terça-feira (14). A projeção para o país foi elevada de 1,6% para 1,9% em 2024, impulsionada pelo aumento das exportações de petróleo.

O ajuste ocorre em meio à alta dos preços do barril de petróleo no mercado internacional, diretamente impactados pelas tensões na região, que levaram a cotação a ultrapassar US$ 100 (cerca de R$ 501). Com isso, países exportadores de energia, como o Brasil, tendem a se beneficiar no curto prazo, mesmo diante de um ambiente global adverso.

Apesar da revisão positiva, o crescimento brasileiro ainda fica abaixo da expectativa do Ministério da Fazenda, que projeta 2,3%, e próximo das estimativas do mercado financeiro, em torno de 1,85%.

O FMI ressalta que o país deve atravessar este período apoiado por reservas internacionais robustas, menor exposição à dívida externa em moeda estrangeira e câmbio flexível. Ainda assim, o desempenho segue inferior ao de outros emergentes, que devem crescer acima de 3%.

Mundo desacelera com guerra e energia mais cara

No cenário internacional, o quadro é oposto: o FMI reduziu a projeção de crescimento global para 3,1%, refletindo os efeitos da guerra sobre o fornecimento de energia e o aumento da incerteza.

A revisão, de 0,2 ponto percentual em relação a janeiro, considera um cenário ainda moderado, com conflito de curta duração. No entanto, a instituição alerta para o risco de agravamento. Segundo o economista-chefe do Fundo, Pierre-Olivier Gourinchas, o mundo se aproxima de um contexto mais adverso.

Caso o conflito se prolongue e o petróleo se estabilize próximo de US$ 100 por barril, o crescimento global pode cair para 2,5% em 2026.

O FMI observa que a alta dos preços do petróleo tende a reacender pressões inflacionárias, forçando bancos centrais a manter juros elevados por mais tempo. Esse cenário aumenta o risco de desaceleração mais intensa ou até recessão em economias desenvolvidas, além de pressionar países dependentes de importação de energia.

Entre as principais economias, as revisões também foram negativas: os Estados Unidos devem crescer 2,3%, a zona do euro, 1,1%, e a China, 4,4% — todas com cortes em relação às projeções anteriores.