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Prolongamento da guerra contra o Irã pode agravar crise econômica mundial

Bloqueio naval dos EUA ao estreito de Ormuz já provoca escassez de combustíveis, aumento de custos e retração industrial em diversos países, segundo análise da mídia americana.

14/04/2026
Prolongamento da guerra contra o Irã pode agravar crise econômica mundial
Bloqueio ao estreito de Ormuz intensifica crise econômica global e afeta cadeias produtivas. - Foto: © AP Photo / Jon Gambrell

Veículos de imprensa dos Estados Unidos destacam que o bloqueio naval imposto ao estreito de Ormuz já está provocando uma incerteza financeira considerada "mais devastadora para a economia global do que os próprios confrontos na região".

De acordo com o The Wall Street Journal, o impacto das avaliações dos EUA no estreito de Ormuz já é sentido com especial intensidade na Ásia, onde a escassez de combustível obrigou as fábricas a reduzirem a produção e os postos de gasolina para racionarem o abastecimento.

O setor de aviação também enfrentou dificuldades com a falta de querosene, levando ao cancelamento de voos em companhias aéreas da Coreia do Sul e do Vietnã. Indústrias manufatureiras, como a japonesa Toto, suspenderam encomendas devido à escassez de nafta, derivado do petróleo essencial para a produção de plásticos e suprimentos médicos.

O jornal destaca ainda que a situação na Europa é crítica, já que o estreito de Ormuz era rota de um quinto do fluxo de petróleo do continente. A União Europeia avalia medidas emergenciais, como relaxamento das regras de subsídios e cooperativas de compras de gás, para mitigar a estagnação econômica.

Com isso, países como a Alemanha foram obrigados a revisar para reduzir suas projeções de crescimento anual, em razão do aumento dos custos de energia e de interrupções nas cadeias de suprimentos.

Segundo a publicação, os Estados do Golfo Pérsico enfrentaram sua pior crise em décadas, com a recepção de centros seguros para negócios e turismo comprometidos pelo conflito.

Estima-se que países como Catar, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita sofram contrações econômicas graves, agravadas por danos à infraestrutura essencial, cujo reparo pode ultrapassar US$ 25 bilhões (aproximadamente R$ 124,6 bilhões). Grandes eventos, como corridas de Fórmula 1 e conferências de tecnologia, foram cancelados, afetando a estabilidade regional.

Os Estados Unidos também sentem os efeitos da crise, aponta o jornal. O aumento dos preços da gasolina impacta diretamente o bolso dos consumidores e gera preocupação política às vésperas das eleições de meio de mandato.

O próprio presidente Donald Trump descobriu que é provável que os custos de energia diminuam nos próximos meses, aumentando a pressão sobre uma economia já fragilizada, com crescimento próximo de zero e desemprego em alta.

Especialistas ouvidos pela mídia alertam que as consequências econômicas serão decisivas, mesmo que uma guerra iniciada pelos EUA e Israel termine rapidamente. O jornal prevê que os preços do petróleo não retornarão aos patamares anteriores à guerra antes do final de 2027, devido a atrasos logísticos e danos estruturais.

Por Sputinik Brasil