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China amplia controles de exportação e pressiona cadeias globais antes de encontro com Trump

Relatório aponta intensificação das restrições chinesas e uso estratégico do comércio em meio a tensões com os EUA

14/04/2026
China amplia controles de exportação e pressiona cadeias globais antes de encontro com Trump
Pequim intensifica controles de exportação e pressiona cadeias globais antes de encontro com Trump. - Foto: © Foto / Pixabay / virin000

A China quase triplicou o uso de controles de exportação nos últimos cinco anos, segundo relatório que evidencia a disposição de Pequim em utilizar seu peso nas cadeias globais de suprimentos, nas vésperas das negociações entre Xi Jinping e o presidente dos EUA, Donald Trump.

De acordo com o Financial Times, o governo chinês implementou novos controles de exportação após a publicação de regulamentações que permitem punir empresas estrangeiras por realizarem auditorias prévias em fornecedores chineses, além de impor proibições de saída a indivíduos que descumpram as regras.

O relatório da Câmara de Comércio da União Europeia na China revela que o país anunciou 30 restrições de exportações entre 2021 e 2025, contra apenas 11 nos cinco anos anteriores. Desde 2020, Pequim passou a adotar controles "geoeconômicos" com objetivos geopolíticos, explorando gargalos globais — como o domínio sobre terras raras — e utilizando medidas econômicas para influenciar outros países.

Essas ações se intensificaram em resposta às restrições impostas pelos EUA a produtos como semicondutores, culminando no uso de controles chineses sobre minerais críticos para pressionar Trump a aceitar uma trégua na guerra comercial.

Para a União Europeia (UE), embora alguns controles sejam justificáveis ​​por razões de segurança, há risco de uma "corrida para o fundo do poço" caso grandes potências continuem a instrumentalizar o comércio.

O relatório destaca que a China vê esses instrumentos uma forma de sinalizar a Trump e a outros líderes estrangeiros que estão dispostos a retaliar de forma limitada o acesso chinês a mercados, insumos industriais e tecnologias.

O país, que registrou superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão (cerca de R$ 5,99 trilhões) no ano passado, depende das exportações líquidas para sustentar o crescimento econômico em meio à fraqueza do mercado doméstico e ao investimento estatal em setores avançados.

Desde 2020, Pequim vem ampliando seu arcabouço legal de contramedidas, com leis sobre controle de exportações, investimento estrangeiro, comércio e combate a avaliações. Essas normas formalizam práticas já adotadas anteriormente, como o corte de terras raras ao Japão em 2010 e o bloqueio às autoridades australianas após a demanda por investigação sobre a origem do coronavírus.

A nova rodada de controles, designada Regulamento sobre Segurança Industrial e da Cadeia de Suprimentos, em vigor desde 31 de março, é considerada uma das mais abrangentes.

Advogados ouvidos pela reportagem afirmam que as medidas ampliam a capacidade de Pequim de responder às regulamentações norte-americanas que impõem novas limitações à cadeia de suprimentos chineses.

Os especialistas alertaram, entretanto, que restrições de auditorias prévias podem ser contraproducentes, pois impedem compradores internacionais de aplicar padrões globais de qualidade e de trabalho.


Por Sputinik Brasil