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Superendividamento cresce no País devido a crédito fácil e falta de educação financeira, diz BC

Relatório do Banco Central aponta aumento do acesso ao crédito e alerta para riscos do endividamento sem orientação adequada

13/04/2026
Superendividamento cresce no País devido a crédito fácil e falta de educação financeira, diz BC
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O Banco Central classificou o superendividamento como um problema crescente no Brasil em relatório publicado nesta segunda-feira, 13. Para a autoridade monetária, a facilidade de acesso ao crédito, sem uma oferta responsável e adequada ao perfil do cliente por parte das instituições, aliada à falta de proteção ao consumidor e à ausência de educação financeira, tem levado muitos brasileiros a contrair dívidas que não conseguem pagar.

“O cartão de crédito é frequentemente apontado como um dos principais vilões do superendividamento devido às altas taxas de juros e à facilidade de uso, que muitas vezes leva ao consumo desenfreado”, destaca o Banco Central.

Essas avaliações estão apresentadas no Relatório de Cidadania Financeira de 2025.

O documento cita, com base em dados da Serasa Experian, que em dezembro de 2024 havia mais de 73 milhões de brasileiros com dívidas negativadas. Entre essas dívidas, as relacionadas ao cartão de crédito representavam 27,4%, enquanto as demais dívidas financeiras correspondiam a cerca de 18% do total.

Segundo dados do Sistema de Informações de Créditos (SCR), o relatório aponta ainda que, no final de 2024, cerca de 130 milhões de pessoas tinham exposição ao crédito no País, sendo que 117 milhões possuíam carteira ativa.

De acordo com o relatório, o acesso ao crédito é medido pelo número de pessoas que possuem limite disponível em alguma instituição financeira, mesmo que não utilizem esse limite. Já o uso do crédito é mensurado pelo saldo positivo nas modalidades do Sistema Financeiro Nacional (SFN), como empréstimos, financiamentos, cartões ou cheque especial.

O documento ressalta que ambos os indicadores apresentaram crescimento nos últimos anos. Entre as pessoas com relacionamento bancário, o percentual com limite de crédito subiu de 61% para 74% entre 2020 e 2024. No mesmo período, a parcela de pessoas com carteira ativa de crédito aumentou de 54% para 67%.