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Diretora do FMI alerta que preços de energia devem permanecer elevados

Kristalina Georgieva afirma que impactos da guerra no Irã e danos à infraestrutura dificultam recuo dos preços, mesmo com eventual cessar-fogo

12/04/2026
Diretora do FMI alerta que preços de energia devem permanecer elevados
Kristalina Georgieva - Foto: AP Photo/Jose Luis Magana

Os preços de energia não devem recuar rapidamente, mesmo que haja cessar-fogo ou avanços rumo à paz na guerra no Irã, afirmou a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva. Nesta semana, o FMI e o Banco Mundial realizam sua tradicional reunião de primavera em Washington, e as questões geopolíticas devem dominar as discussões.

Em entrevista à emissora norte-americana CBS, Georgieva destacou que a normalização da situação levará tempo, devido a atrasos nas entregas e danos à infraestrutura, fatores que mantêm a escassez e a pressão sobre os preços, especialmente nas regiões mais afetadas pela ruptura na oferta.

Segundo Georgieva, o choque é "grande" e global: "13% do petróleo e 20% do gás que circulariam no mundo agora estão parados há cinco semanas — e contando".

Ela classificou o cenário como um choque negativo de oferta: "Você tem menos energia, mas a demanda continua a mesma. O que acontece? Os preços sobem", explicou. "Todos sentem o impacto da alta, embora de forma desigual entre os países".

Georgieva ressaltou que os impactos são mais intensos para importadores de energia e economias sem reservas, afirmando que países pobres e vulneráveis "estão sendo duramente atingidos".

A dirigente do FMI também associou a escalada dos preços a efeitos em cadeia, como aumento dos custos de fertilizantes, transportes e remessas, o que pode pressionar ainda mais os alimentos.

Sobre os Estados Unidos, Georgieva avaliou que o país é "um pouco menos impactado" por ser exportador de energia, mas alertou que o choque pode atrasar a convergência da inflação à meta. "Nós projetávamos que isso aconteceria no início de 2027. Agora, isso pode ser um pouco adiado", disse. Segundo ela, a alta dos preços funciona como "um imposto sobre a renda", com maior impacto sobre a população de baixa renda.

Quanto à origem do choque, Georgieva citou o aumento de quase 50% nos preços do petróleo em decorrência da guerra no Irã, avaliando que parte desse efeito já está incorporada ao mercado.

Ela também destacou consequências mais duradouras devido aos danos: "Setenta e duas instalações de energia foram atingidas; um terço delas sofreu danos severos". Ao mencionar o campo de gás no Catar, disse que seriam necessários "de três a cinco anos para atingir a capacidade total", além de alertar para riscos em refinarias que, sem suprimento regular, podem parar e demorar a retomar operações.

Para o crescimento global, Georgieva observou que a economia mundial vinha demonstrando resiliência após sucessivos choques, e que o FMI projetava "uma pequena revisão para cima do crescimento em 2026 se não fosse por esta guerra". Com o conflito, entretanto, haverá "uma revisão para baixo", cuja magnitude dependerá da "duração" da guerra e da velocidade de recuperação da produção.

Conteúdo elaborado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.