Geral
Dia do Cosmonauta: os 65 anos da missão que fez de Yuri Gagarin o 1º humano a voar pelo espaço
À Sputnik Brasil, o cosmonauta brasileiro Marcos Pontes e o presidente da Agência Espacial Brasileira destacam como a missão da Vostok 1 pavimentou o caminho para a exploração espacial e detalham os avanços do Brasil no setor.
No dia 12 de abril é celebrado o Dia do Cosmonauta. A data marca a histórica missão da Vostok 1, em 1961, na qual o cosmonauta Yuri Gagarin ficou em órbita durante 108 minutos, se tornando o primeiro ser humano a contemplar a curvatura terrestre, e proferiu a icônica frase: "A Terra é azul".
A missão espacial, que completa 65 anos, transformou o cenário da Guerra Fria, consolidando a vantagem da União Soviética (URSS) na corrida espacial. Em entrevista à Sputnik Brasil em celebração à data, o senador e cosmonauta Marcos Pontes e o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Marco Antonio Chamon, contam como a missão soviética se conecta à nova era de exploração encabeçada por países do Sul Global.
Pontes ressalta que na época da missão, entrar em uma espaçonave e decolar rumo ao espaço tinha um nível de risco extremamente alto. Logo, a missão não demandava apenas tecnologia, mas um ser humano de coragem e atitude para que tudo funcionasse. Por isso, é preciso "ter muito respeito pelo que Gagarin fez".
Ele acrescenta que a Rússia tem uma importância muito grande não apenas pelo início da exploração espacial na competição com os EUA na Guerra Fria, que possibilitou os avanços hoje vistos em espaçonaves, foguetes, estruturas de lançamento, mas também na maneira como nós pensamos sobre a exploração espacial.
"Em voos de longa duração, a Rússia tinha muito mais experiência do que os EUA. Mas, logicamente, sofria com as questões de restrições econômicas, financeiras, para manter o projeto. Mas eles conseguiram manter o projeto, apesar de todas as dificuldades. E você vê que, hoje em dia, grande parte dos astronautas e outros de vários países ainda voam com a Rússia", afirma.
O Brasil busca se inserir na cooperação internacional no âmbito espacial, exemplo disso é a participação do país em estudos ligados ao cultivo de alimentos na Estação Espacial Internacional (EEI). Pontes avalia que o país teve um "avanço grande na área especial".
"A área de satélites, lançadores, centros de lançamento, a área de cooperação internacional e aplicações de espaço. Nós avançamos em todas essas áreas, você vê o Centro Espacial de Alcântara hoje, ele está operacional, comercialmente, o que é importante, porque ficar com um centro de lançamento simplesmente militar não é viável de se manter."
Ele acrescenta que a exploração espacial também é uma grande geradora de empregos diretos e indiretos na área de ciência, tecnologia e agricultura.
"A geração de empregos secundário é como se fosse uma árvore muito grande. E o Brasil não pode ficar fora de uma situação como essa, principalmente agora com a inteligência artificial", destaca.
Para o cosmonauta, os conflitos globais em curso não afetam a cooperação internacional no que diz respeito à chamada "ciência pura".
"Inclusive tem um conceito de ciência aberta, que é justamente para isso, a gente sentiu o efeito disso na pandemia se não houvesse essa ciência, colaboração entre a ciência aberta, teria sofrido muito mais."
Um dos grandes pilares da Agência Espacial Brasileira (AEB) é a busca pela autonomia do Programa Espacial Brasileiro (PEB). À Sputnik Brasil, o presidente da agência, Marco Antonio Chamon, diz que as parcerias internacionais podem ajudar nesse sentido sem prejudicar o desenvolvimento autônomo de tecnologias, e lembra que o Brasil já realizou parcerias com China, na área de satélites, e com Alemanha e Rússia, na área de foguetes.
"A ideia, principalmente, é a seguinte. Quando você tem uma cooperação internacional ou você tem transferência de tecnologia, o que nessa área tende a ser bastante difícil, mas é possível, ou você tem uma missão na qual os dois trabalham, as empresas e os institutos de pesquisa e as universidades dos dois países trabalham em conjunto para desenvolver um objeto espacial", explica Charmon.
Ele cita a parceria firmada na Constelação de Satélites do BRICS, que permite às agências espaciais de países do grupo a construção de uma constelação virtual de satélites de sensoriamento remoto e diz que recentemente foi demonstrado como isso funciona na prática durante a COP30, em Belém.
"Nós fizemos, unindo todos os países do BRICS que tinham imagens disponíveis, a Rússia, entre eles, nós fizemos um exercício para fazer um mosaico da cidade de Belém e o seu entorno e distribuir isso durante a COP. Não era uma experiência científica, era mais uma demonstração de viabilidade, de como é que essas coisas funcionam."
Além de ser aplicada na parte de pesquisa científica, Charmon aponta que a constelação pode ser útil para reunir informações em casos de desastres naturais e emergências climáticas.
Ele afirma que um desejo da AEB é ampliar a cooperação com universidades e diz que já há esforços nessa direção.
"Temos projetos para desenvolvimento científico e tecnológico nas universidades, mas nós gostaríamos de atraí-las para os grandes projetos brasileiros. Eu espero que o próximo grande projeto que nós temos [...] que é um satélite geoestacionário para meteorologia e meio ambiente, possa trazer as universidades para dentro, mais próximas do setor espacial", conclui Charmon.
Mais lidas
-
1ELEIÇÕES 2026
Datafolha e Real Time Big Data divulgam pesquisas para presidente esta semana
-
2DIREITOS TRABALHISTAS
Quinto dia útil de abril de 2026: veja a data limite para pagamento de salários
-
3DIREITOS TRABALHISTAS
Quinto dia útil de abril de 2026: confira a data limite para pagamento dos salários
-
4LIBERTADORES 2024
Palmeiras enfrenta gramado ruim e empata com Junior Barranquilla na estreia
-
5PREVISÃO DO TEMPO
Vórtice ciclônico em altos níveis provoca fortes chuvas em SP e outros Estados