Geral
Alocadores repensam estratégia em multimercados e reforçam importância da diversificação
Após turbulências em março, gestores revisam portfólios e destacam disciplina na gestão de risco
A recente turbulência nos fundos multimercados em março provocou discussões e ajustes entre gestores sobre o papel dessa classe de ativos nos portfólios, seja por meio de mudanças no peso ou na estratégia escolhida. Mais do que isso, segundo alocadores ouvidos pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), a experiência desafiadora do mês passado reforçou a importância da diversificação e da diligência na composição das carteiras.
"Quando o cenário muda abruptamente, é muito difícil se proteger totalmente", avalia Marcelo Segalis, superintendente da área de Fund of Funds do Itaú. Ele explica que, embora seja complicado substituir a fatia de multimercados com estratégia macro — predominante no Brasil —, já vinha ocorrendo, nos últimos dois anos, uma migração para alternativas dentro da classe, como o long & short. "Ainda não é o principal risco, mas já começa a ter algum papel nas carteiras dos clientes", afirma Segalis. "Não é por achar que a indústria errou. Fazemos mudanças para buscar o melhor equilíbrio do portfólio."
João Uchoa Borges Filho, líder de Fundos de Fundos do BNP Paribas Asset Management Brasil, destaca que momentos de choque exigem disciplina na gestão de risco. "Não é momento de 'ficar na torcida'. Quando a volatilidade aumenta e o cenário se torna incerto, a redução de posição é natural", afirma.
Marcel Andrade, head de Investment Solutions da SulAmérica Investimentos, concorda e reforça: "A diversificação é a chave. Multimercados oferecem um leque de estratégias; embora o drawdown em março tenha sido forte, outros fundos se beneficiaram do movimento do mercado. O importante é avaliar controles de risco e selecionar gestores de forma criteriosa." Ele completa: "É uma parcela de risco do portfólio que não vamos ficar movimentando durante o mês ou mesmo durante o ano."
Gabriel Marquezino, gestor de FoFs da Tivio Capital, promoveu mudanças na alocação estratégica em multimercados. "Estamos buscando gestores mais nichados, com risco idiossincrático e estratégias complementares: um gestor especializado em Bolsa, outro em juros, outro em commodities. O multimercado macro tradicional tem perdido espaço dentro da carteira", relata. Marquezino observa que, no Brasil, a alocação média em multimercados costuma ser de 30%, bem acima dos 10% alocados em hedge funds nos Estados Unidos. Atualmente, a fatia dessa área na gestora está em cerca de 15%.
Apesar da cautela, os alocadores enxergam espaço para uma retomada da classe, dependendo do cenário externo. "Se houver uma melhora, aquele ambiente do início do ano pode voltar rapidamente, com queda de juros e fluxo para emergentes", projeta Borges Filho, do BNP Paribas Asset.
Segundo ele, o grande desafio é equilibrar a preservação de capital com a capacidade de capturar novas oportunidades.
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