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Fluxo no estreito de Ormuz despenca e apenas dois navios cruzam a rota em um dia
Redução histórica no tráfego marítimo eleva tensão no mercado de petróleo e gás; negociações de paz avançam sob incertezas
O estreito de Ormuz, responsável pelo escoamento de mais de 20% do petróleo e gás mundial, voltou ao centro da crise energética global devido à drástica redução no número de navios em circulação.
Na última terça-feira (7), poucas horas antes do ultimato emitido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o Irã anunciou a reabertura do estreito após um acordo de cessar-fogo. No entanto, ataques de Israel ao Líbano, ocorridos no dia seguinte, levaram Teerã a recuar da decisão.
Segundo o The New York Times, apenas dois navios atravessaram a rota na sexta-feira (10), o menor fluxo registrado na semana. Dias antes, o movimento já era reduzido, com quatro embarcações diárias, de acordo com dados da S&P Global Market Intelligence. Antes da escalada do conflito, cerca de 120 navios cruzavam o estreito diariamente.
A queda acentuada no tráfego marítimo ocorre após a violação do cessar-fogo, que resultou em mais de 300 mortes após ataques israelenses no Líbano. Estados Unidos e Israel alegaram que o país não estava incluído no acordo. Com o aumento das hostilidades, embarcações permanecem ancoradas nas proximidades do estreito, aguardando maior estabilidade.
O bloqueio da via marítima já impacta o mercado internacional: a redução no fluxo de petróleo e gás pressiona a oferta global e contribui para a alta nos preços de combustíveis, como gasolina, e de itens essenciais, como o gás de cozinha.
Retomada das negociações para o fim do conflito
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou que ambas as partes envolvidas estão dispostas a negociar uma solução pacífica. Neste sábado (11), representantes dos Estados Unidos e do Irã se reúnem em Islamabad para discutir um possível acordo de paz.
“As negociações entre os dois lados são cruciais: ou terão sucesso ou fracassarão na busca por um acordo duradouro”, declarou Sharif.
Apesar da disposição para o diálogo, os bombardeios contínuos de Israel no Líbano podem inviabilizar as conversas antes mesmo de começarem. O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o fim dos ataques ao Líbano é uma das principais exigências apresentadas a Washington para a reabertura do estreito de Ormuz e a continuidade das negociações em Islamabad.
Outra demanda do Irã, referente à liberação de ativos bloqueados no exterior, também não foi atendida, segundo Ghalibaf, que lidera a delegação iraniana em visita ao Paquistão.
Além de Ghalibaf, integram a delegação do Irã Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores; Ali Akbar Ahmadian, secretário do Conselho de Defesa; Abdolnasser Hemmati, presidente do Banco Central, e outros membros do parlamento.
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