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Petróleo recua mais de 12% na semana com negociações entre EUA e Irã

Apesar do cessar-fogo anunciado há três dias, tensões persistem no Oriente Médio e pressionam os preços do petróleo

10/04/2026
Petróleo recua mais de 12% na semana com negociações entre EUA e Irã
- Foto: Reprodução

Os preços do petróleo fecharam em queda nesta sexta-feira, 10, ampliando as perdas acumuladas na semana, diante das expectativas para as negociações entre Estados Unidos e Irã, marcadas para este sábado, 11. O mercado apresenta volátil ao longo do pregão, refletindo as contínuas interrompidas no Estreito de Ormuz, que segue em grande parte fechada, mesmo após o acordo de cessar-fogo firmado recentemente.

No mercado da Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex), o petróleo WTI pode encerrar o dia com baixa de 1,33% (US$ 1,30), cotado a US$ 96,57 por barril.

Já o Brent para junho resgatou 0,75% (US$ 0,72), sendo negociado a US$ 95,20 por barril na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).

Na semana, o WTI acumulou queda de 13,4%, enquanto o Brent cedeu 12,7%.

Durante o pregão, o WTI chegou a atingir US$ 100 por barril, impulsionado por sinais de fragilidade na trégua entre os países envolvidos no conflito no Oriente Médio.

Entre os pontos de impasse, Líbano e Israel deverão realizar uma ligação com participação dos Estados Unidos nesta sexta-feira, após informações divergentes sobre a extensão do cessar-fogo ao Hezbollah, no sul do Líbano.

Autoridades norte-americanas e iranianas trocaram ameaças, elevando o risco de interrupções das negociações bilaterais previstas para o sábado, no Paquistão.

O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o cessar-fogo no Líbano e a liberação dos ativos bloqueados do Irã são condições para o início das conversas. Por sua vez, o vice-presidente americano, JD Vance, que liderou a delegação dos EUA, alertou que Teerã não deve "brincar" com os Estados Unidos.

Embora o presidente dos EUA, Donald Trump, tenha inicialmente adotado um tom otimista quanto à resolução do conflito, voltou a ameaçar Teerã, afirmando que "a única razão para a liderança iraniana estar viva é para negociar". Na véspera, Trump já havia criticado o Irã pela cobrança de taxas para a passagem de petroleiros no Estreito de Ormuz.

Para os analistas do ING, mesmo com a possível reabertura do Estreito de Ormuz, a normalização da oferta de energia não será imediata. “A produção já foi reduzida em campos de petróleo e gás, enquanto as operações de refinarias foram limitadas ou temporariamente interrompidas, interromper que parte das interrupções no fornecimento pode levar semanas, ou mais, para ser totalmente revertida”, explicam.

A valorização do petróleo segue as instruções dos custos de energia. Nos Estados Unidos, o aumento foi de 10,9% em março ante fevereiro, impulsionado pela alta de 21,2% na gasolina. No Japão, a primeira-ministra Sanae Takaichi anunciou uma nova liberação de reservas estratégicas de petróleo, equivalente a cerca de 20 dias de consumo, a partir do início de maio.