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Lula inaugura centro médico no SUS com tecnologia usada no hospital que atende presidente dos EUA

Sputinik Brasil 10/04/2026
Lula inaugura centro médico no SUS com tecnologia usada no hospital que atende presidente dos EUA
Foto: © Sputnik Brasil / Guilherme Correia

A tecnologia médica utilizada pelo hospital que atende o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, será integrante do Sistema Único de Saúde (SUS). O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante a apresentação do Centro de Ensino, Simulação e Inovação (CESIN) do Instituto do Coração (InCor), em São Paulo.

Trata-se de uma área de realidade ampliada que "monta cenários" para que profissionais de saúde possam visualizar em tempo imagens reais do interior do paciente, com uso de inteligência artificial e tecnologia da informação

A mesma estrutura já é utilizada no Walter Reed National Military Medical Center, hospital na região de Washington responsável por atender o presidente norte-americano.

Padilha afirmou que o equipamento, demonstrado durante o evento pelo responsável técnico do centro, “agora está garantido no SUS”.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que sua meta é provar que “o Estado pode ser melhor do que qualquer instituição privada” e criticou quem tenta “destruir toda e qualquer capacidade do Estado tratar bem as pessoas”.

“Em vez de achar bom que o Estado esteja investindo para dar cidadania ao povo mais humilde, fez do SUS um inimigo”, afirmou.

Lula usou a própria experiência como paciente para ilustrar o ponto. O presidente disse conhecer "dos dois lados" o sistema de saúde — tanto como cidadão comum quanto como chefe de Estado — e afirmou querer garantir ao trabalhador de menor renda acesso às mesmas máquinas que ele próprio utiliza como presidente. “Não deve ser tratado de forma inferior a ninguém”, disse.

Para o presidente, cabe ao Estado essa garantia de igualdade: "Quem tem dinheiro paga quanto quiser, vai para outro lugar. Quem não tem é o Estado que tem que tratar."

Lula também pediu que o país abandonasse o que chamou de “complexo de vira-lata”. “O Brasil precisa jogar fora o complexo de que nós somos pequenos, de que somos pobres, de que não temos nada”, afirmou. Para ele, a diferença entre o Brasil e potências como Estados Unidos e China não é de capacidade, mas de disposição. "A gente tem que querer ter, para a gente poder fazer."

Sobre o centro anunciado, o presidente elogiou a estrutura de simulação que permite aos médicos praticar procedimentos em corações virtuais antes de operar pacientes reais. “Quando a pessoa chega na pessoa viva para tratar, ele já tenha tratado de um coração virtual”, disse, classificando a iniciativa como “uma coisa maravilhosa”.

Lula destacou ainda que os novos equipamentos de radioterapia estão sendo levados a todos os estados brasileiros, o que chamou de "respeito à dignidade do ser humano, independente da sua cor, da sua religião e do berço que nasceu". O presidente também exaltou o SUS e seus profissionais, lembrando que durante a pandemia de covid-19 médicos, enfermeiros e motoristas — nem sempre bem remunerados — tiveram “uma presença tão extraordinária que viraram todo o motivo de orgulho da saúde desse país”.

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), também presente, disse que o centro despertou nele "vontade de voltar para os bancos acadêmicos" e afirmou que "uma vida salva não tem valor que possa remunerá-la", destacando o InCor como referência nacional em pesquisa, inovação e formação médica.

Padilha detalhou os investimentos: o governo federal aportou mais de R$ 40 milhões para a construção e equipamento do CESIN e acrescentou que Lula ligou pessoalmente para garantir o repasse ainda na primeira semana após assumir o ministério. “O presidente Lula tem um compromisso enorme. Esse recurso vai ser pago”, afirmou.

O ministro destacou que o InCor já formou quase mil cardiologistas e cerca de 300 pneumologistas por programas de residência, e que o novo centro ampliará essa capacidade para todo o Brasil e outros países — citando parceria em curso para formar quase mil profissionais de saúde de Angola.

Ele anunciou ainda um acordo de R$ 9 milhões para que o InCor acompanhe, por telessaúde, gestantes e crianças com cardiopatias congênitas em 76 maternidades pelo país.

Padilha também apresentou um balanço do programa Agora Tem Especialistas: em 2024, foram realizadas 14,9 milhões de cirurgias eletivas pelo SUS, recorde histórico e 42% acima do registrado em 2022. O ministro anunciou a construção do que chamou de "primeiro hospital 100% inteligente de urgência e emergência do SUS" no complexo do HC, com mais de 700 leitos, além da instalação de 14 serviços inteligentes conectados em todas as regiões do país. A plataforma nacional de dados de saúde do governo já reúne mais de 4 bilhões de registros clínicos de pacientes do SUS.

Realidade virtual

A tecnologia de realidade aumentada apresentada no CESIN é a mesma utilizada no Walter Reed National Military Medical Center, hospital militar dos Estados Unidos localizado em Bethesda, Maryland, responsável por cuidar de presidentes americanos desde o século XX — incluindo Donald Trump, que se internou na unidade em 2020 após contrair a covid-19.

O uso da realidade aumentada em contextos cirúrgicos e de simulação médica permite que os profissionais visualizem, em tempo real, imagens tridimensionais do interior do paciente sobrepostas ao ambiente físico. Com essa tecnologia, é possível acessar digitalmente os órgãos do paciente, localizar e visualizar lesões e identificar órgãos adjacentes que possam ser afetados, além de verificar a melhor abordagem cirúrgica.

Segundo o governo federal, o CESIN é o primeiro centro de simulação com esse nível tecnológico na América Latina.