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Brasil e EUA lançam programa conjunto para combater tráfico de armas e drogas

Projeto MIT e sistema Desarma ampliam rastreamento e troca de informações em tempo real para reforçar ações contra o crime organizado transnacional.

10/04/2026
Brasil e EUA lançam programa conjunto para combater tráfico de armas e drogas
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Receita Federal do Brasil e a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP) lançaram nesta sexta-feira, 10, um programa de cooperação para o combate ao crime organizado transnacional, com foco no compartilhamento de informações em tempo real entre os dois órgãos.

Segundo o Ministério da Fazenda, "a cooperação está inserida no contexto do diálogo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e integra uma agenda mais ampla de cooperação bilateral externa ao enfrentamento do crime organizado transnacional".

A iniciativa, denominada Projeto MIT (Mutual Interdiction Team) , visa integrar esforços de inteligência e operações conjuntas para interceptar remessas ilícitas de armas e drogas entre Brasil e Estados Unidos.

Além disso, foi lançado o Programa Desarma , sistema informatizado da Receita Federal que amplia a capacidade de rastreamento internacional de armas e materiais sensíveis.

O novo sistema possibilita o compartilhamento, em tempo real, de informações entre os países sempre que a aduana brasileira identificar produtos de origem americana relacionados a armas, munições, peças, componentes, explosivos e outros itens sensíveis, e vice-versa. O objetivo é permitir que as autoridades de cada país atuem imediatamente diante da identificação de remessas ilegais.

De acordo com o Ministério da Fazenda, "as informações compartilhadas podem incluir dados sobre exportadores, remetentes e outros operadores envolvidos nas operações, sempre nos limites dos acordos internacionais firmados pelo Brasil e com garantia de tratamento sigiloso, seguro e rastreável das informações".

O sistema poderá ser utilizado tanto em apreensões em portos e aeroportos quanto em remessas internacionais, operações especiais de fiscalização e ações integradas com outros órgãos de investigação, ampliando a capacidade de resposta do Estado brasileiro.

Dados da Receita Federal apontam que o sistema pode identificar, conectar e rastrear fluxos internacionais de armamentos ilícitos. Nos últimos 12 meses, foram registradas 35 ocorrências, com apreensão de 1.168 partes e peças (cerca de 550 kg), enviadas principalmente da Flórida (EUA), utilizando declarações fraudulentas e métodos de ocultação.

A passagem dessas informações em uma base estruturada permite identificar padrões, vínculos entre remetentes e destinatários e rotas recorrentes, segundo o órgão.

O modelo do Desarma também pode ser utilizado no combate a outros crimes, como o tráfico de drogas. Dados do Aeroporto de Guarulhos mostram aumento nas apreensões, de 89 kg em 2024 para 1,562 kg nos três primeiros meses de 2026.

Encontro de Durigan nos EUA

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira que poderá se reunir com autoridades norte-americanas na semana que vem, quando estiver em Washington para as reuniões de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI). Até o momento, não há confirmação de um encontro com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent.

“A gente não tem agenda, mas há interesse de fazer conversas sobre o aumento de cooperação internacional entre Brasil e Estados Unidos na minha viagem na próxima semana”, disse Durigan, durante coletiva sobre a parceria para rastreamento de armas e drogas.

Conversa entre Lula e Trump impulsionou parceria

Segundo Durigan, a parceria anunciada só foi possível devido a uma conversa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O ministro espera que a cooperação avance, com novas ações voltadas à rastreabilidade de armas e munições já em discussão.

Ele destacou, ainda, que não houve tratativas com autoridades norte-americanas sobre a possibilidade de classificação de organizações criminosas brasileiras como terroristas pelos EUA.