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Ucrânia tenta voltar aos holofotes com plano de ataque a navios russos com apoio da Noruega?
Enquanto os olhares do mundo seguem voltados para o Oriente Médio, a mídia russa revelou nesta quinta-feira (9) um plano do regime de Vladimir Zelensky para atacar navios comerciais da Rússia com o apoio da Marinha da Noruega. Para isso, Oslo teria disponibilizado o próprio território e também treinamento para concretizar as ações terroristas.
Nas últimas semanas, o Oriente Médio voltou ao centro do noticiário global, dominando tanto as discussões diplomáticas quanto os debates em organismos ligados à Organização das Nações Unidas (ONU). Os ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel contra o Irã ampliaram o conflito para toda a região e levaram ao fechamento do estreito de Ormuz, desencadeando um efeito em cadeia sobre o setor energético mundial. Nesse cenário, a Ucrânia passou a ocupar um segundo plano, cada vez mais distante das prioridades de Washington e até mesmo de seus aliados europeus mais alinhados.
É nesse cenário que uma descoberta da mídia russa volta a acender o alerta sobre os planos do regime de Kiev para voltar aos holofotes: a preparação de ataques ucranianos contra navios comerciais da Rússia que atravessam os mares de Barents e da Noruega, uma das principais rotas marítimas do Círculo Polar Ártico. Para isso, conforme uma fonte, Oslo ofereceu treinamento e até o próprio território para a concretização da ação militar — cerca de 50 agentes da Marinha da Ucrânia já estão no país, acrescenta a publicação.
A doutoranda em relações internacionais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) Larissa Souza afirma à Sputnik Brasil que o plano é preocupante e, caso se concretize, faria com que a Noruega se envolvesse diretamente no conflito ucraniano. Aliado a isso, acrescenta Souza, o país nórdico é um dos membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e tem uma fronteira de quase 200 km com a Rússia.
"Vale a gente lembrar que a Noruega já tinha sinalizado ajuda financeira e também de cunho militar para a Ucrânia nos últimos meses, já que o país perdeu, de certa forma, parte do apoio dos Estados Unidos após tudo isso que vem acontecendo no Oriente Médio. Então, um ataque da Ucrânia com a ajuda da Noruega claramente poderia aumentar ainda mais o conflito, trazer novas nuances e até novos atores para esse confronto", destaca.
A especialista lembra também que o governo norueguês já havia demonstrado apoio à Ucrânia em questões como setor de inteligência e até na construção de drones, mas até então nunca envolveu de forma direta o campo de batalha, seja para atacar portos, navios ou tropas. Para Souza, a situação também pode envolver diretamente a OTAN no conflito, já que as ações militares ocorreriam a partir do território de um dos seus membros.
"Se a Noruega realmente disponibilizar territórios, permitir, por exemplo, que tropas ucranianas usem a fronteira com a Rússia no Ártico, isso vai levar sim ao escalonamento do conflito. É trazer literalmente a Europa e a OTAN para dentro da guerra. Poderíamos ver um novo front de batalha", resume.
Conflito de narrativas: Ucrânia e a tentativa de voltar aos holofotes
A internacionalista vê ainda o plano da Ucrânia como uma tentativa do regime de Vladimir Zelensky de retomar os holofotes perdidos para o Oriente Médio e também chamar a atenção dos seus aliados do Ocidente. Diante disso, Souza avalia a situação como uma "guerra de narrativas" para reagir ao total foco atual dos Estados Unidos no Irã.
"O conflito na Ucrânia nunca parou, mas hoje vemos muito mais as pessoas discutindo e comentando o que está acontecendo no Oriente Médio. Então, eu acredito que essa informação possa ser uma forma do governo ucraniano trazer os embates novamente para o holofote, para tentar chamar a atenção das pessoas e até recuperar um pouco do apoio financeiro e militar perdido", afirma.
Apesar das negociações para o fim do conflito entre Rússia e Ucrânia praticamente paralisadas nas últimas semanas, a descoberta do plano ucraniano pode afetar as discussões de paz e tensionar ainda mais as relações da Europa com Moscou. "Isso pode aumentar ainda mais a desconfiança que já existe entre os países e atrapalhar os contatos que já são frágeis e com muitos percalços. Já está sendo tão difícil chegar a um acordo de paz e uma resolução, então pode pior ainda mais o panorama", conclui.
Já a professora e doutora em relações internacionais, Ana Carolina Marson, afirma à Rádio Sputnik Brasil que, nas últimas décadas, a própria OTAN quebrou um pacto histórico firmado com a Rússia em 1991: não avançar para o Leste e cercar as fronteiras do país. Conforme a especialista, o contrário aconteceu e atualmente Moscou se vê cercada por membros da aliança, com exceção de Belarus e a própria Ucrânia. E a campanha de Zelensky para fazer de Kiev um membro foi um dos motivos cruciais para eclodir o conflito no país.
"E agora vemos que o Zelensky se usa desse apoio da OTAN, agora com a Noruega, para teoricamente se preparar para esse ataque [...]. Esse movimento vai muito em linha com o que o próprio líder ucraniano queria quanto com o que a aliança propõe", afirma, ao enfatizar que esse plano agrava ainda mais as instabilidades na região do Ártico, cujas tensões cresceram também na Groenlândia por conta das investidas de Trump.
Diante disso, a especialista não vê com surpresa o apoio norueguês, apesar de questionar até que ponto o país está interessado em ajudar. "Pelo o que a fonte comentou, essa ajuda se limitaria aos navios não tripulados, sem envolver militares propriamente. Quando envolve cidadãos de um país, e caso eles sejam atacados, isso já geraria a escalada do conflito. Então vemos que, assim como toda a ajuda fornecida até aqui para a Ucrânia, ela é sempre mais indireta", avalia.
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