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Justiça de Alagoas mantém prisão de dono de clínica onde esteticista morreu

Desembargador João Luiz Azevedo Lessa negou pedido de liberdade de Maurício Anchieta; laudo aponta indícios de tortura e traumatismo craniano em Cláudia Pollyanne

Redação 09/04/2026
Justiça de Alagoas mantém prisão de dono de clínica onde esteticista morreu
- Foto: Reprodução

O desembargador João Luiz Azevedo Lessa, do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL), indeferiu o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa de Maurício Anchieta de Souza. O empresário é o proprietário da clínica de reabilitação onde a esteticista Cláudia Pollyanne Farias de Sant Anna, de 41 anos, faleceu em agosto de 2025, no município de Marechal Deodoro.

Ao manter a prisão preventiva, o magistrado argumentou que não existem, no momento, elementos jurídicos suficientes que justifiquem a soltura imediata do investigado. Segundo a decisão, os requisitos necessários para a concessão da medida de urgência não foram comprovados pela defesa.

Indícios de tortura e violência

O caso, que tramita na Comarca de Marechal Deodoro, apura as circunstâncias da morte da esteticista. Além de Maurício, sua esposa também é ré no processo. A gravidade das investigações aumentou após a divulgação do laudo pericial, que listou detalhes alarmantes sobre o estado físico da vítima:

Causa imediata: Insuficiência respiratória aguda.

Lesões constatadas: Diversas escoriações pelo corpo e sinais de traumatismo craniano.

Parecer pericial: Embora o exame não tenha sido conclusivo sobre o nexo direto entre as agressões e o óbito, o perito oficial destacou que os ferimentos são "compatíveis com tortura".

Histórico do caso

A investigação policial teve início após uma denúncia da família de Cláudia Pollyanne. O alerta partiu de profissionais de saúde da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Marechal Deodoro, que estranharam a presença de hematomas visíveis e múltiplas lesões quando a paciente deu entrada na unidade, já sem vida ou em estado crítico.

Com a negativa da liminar pelo Tribunal de Justiça, Maurício Anchieta de Souza permanecerá custodiado. O processo segue em fase de instrução para determinar o grau de responsabilidade dos proprietários da clínica diante das graves suspeitas de maus-tratos e violência física contra os internos.