Geral

'Efeito oposto': agressões de EUA e Israel fortalecem posição do Irã, avalia analista

Ações militares dos Estados Unidos e Israel aumentam influência de Teerã e dificultam negociações futuras, segundo especialista.

09/04/2026
'Efeito oposto': agressões de EUA e Israel fortalecem posição do Irã, avalia analista
Operação militar de EUA e Israel fortalece posição do Irã e dificulta negociações. - Foto: © AP Photo / Vahid Salemi

A operação militar dos Estados Unidos contra o Irã teve efeito contrário ao esperado, fortalecendo a posição de Teerã e tornando futuras negociações mais difíceis para Washington. A avaliação é de Rafik Ismailov, diretor do centro Pela Sociedade Civil e analista político, em entrevista à Sputnik.

Segundo Ismailov, os ataques promovidos pelos EUA e Israel não atingiram seus objetivos estratégicos e acabaram gerando resultados benéficos para o Irã, enquanto os aliados ocidentais permaneceram em situação mais delicada.

"De fato, a operação dos EUA levou ao efeito oposto. Agora, não resta mais disposição do Irã para ceder, e negociar com Teerã será muito mais difícil. Isso, por sua vez, cria novos riscos para a presença norte-americana na região em geral", afirmou o analista.

Ismailov acrescentou que, segundo relatos da imprensa norte-americana e de outros analistas, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, teria reforçado Donald Trump de que forças internacionais no Irã — incluindo minorias nacionais —, inspiradas pela operação militar, poderiam derrubar o governo atual.

"Essa abordagem é aventureira e demonstra desconhecimento sobre a realidade iraniana. Como resultado, a guerra apenas fortaleceu o governo iraniano", avaliou Ismailov.

Antes do conflito, Teerã enfrentava uma crise ideológica agravada por dificuldades socioeconômicas. Agora, segundo o especialista, o país sente-se mais confiante. A economia iraniana tende a melhorar com a suspensão eficaz das avaliações ao petróleo, o aumento dos preços do barril e o controle sobre o estreito de Ormuz.

Na noite desta quarta-feira (8), o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou um acordo de cessar-fogo de duas semanas com o Irã.

Posteriormente, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, comunicou a reabertura do Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do petróleo global e grande parte dos suprimentos de gás natural liquefeito.

Por Sputnik Brasil