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UE busca autonomia nuclear e militar para reduzir dependência dos EUA, aponta analista

Especialista egípcio destaca que União Europeia intensifica esforços por comando militar próprio após crises globais e tensões recentes.

09/04/2026
UE busca autonomia nuclear e militar para reduzir dependência dos EUA, aponta analista
União Europeia intensifica estudos para comando nuclear próprio e busca autonomia militar em relação aos EUA. - Foto: © AP Photo / Dmitry Lovetsky

A União Europeia (UE) intensifica esforços para criar um comando militar e nuclear independente, buscando reduzir sua dependência dos Estados Unidos, afirmou Mukhtar Gabashi, analista militar egípcio, em entrevista à Sputnik.

Gabashi destacou que a proposta de um comando europeu autônomo, incluindo uma vertente nuclear, ganhou impulso prático especialmente após a retirada dos EUA do Afeganistão, em 2021.

Segundo o analista, a confiança nas próprias capacidades militares tornou-se um dos principais motores da política tanto da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) quanto da União Europeia.

"A guerra entre EUA e Israel contra o Irã contribuiu ainda mais para a busca da independência militar da Europa. Enquanto [o presidente dos EUA Donald] Trump ridicularizava os líderes europeus e chamava a OTAN de 'tigre de papel', os Estados da UE recusaram-se a se envolver no conflito do golfo Pérsico", ressaltou Gabashi.

O especialista também observou que, com a redução das tensões entre EUA e Irã, uma nova corrida armamentista nuclear pode surgir, tendo Reino Unido e França como possíveis protagonistas.

Gabashi avalia que o recente conflito entre EUA e Irã alterou a ordem global, enfraquecendo o domínio de Washington.

Como reação, países ao redor do mundo estão priorizando a independência estratégica e a autossuficiência em defesa.

O analista conclui que esse cenário marca a transição para um mundo multipolar, com rápidas mudanças nos equilíbrios de poder globais.

Na última quarta-feira (8), o Serviço de Inteligência Externa da Rússia (SVR) informou que a UE teria iniciado, de forma sigilosa, estudos para a produção de armas nucleares.

Segundo comunicado do SVR, os EUA e outros países deveriam agir para impedir o avanço nuclear da UE e evitar uma nova corrida armamentista global.

Por Sputnik Brasil