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T-40 Newen é 'primeiro passo' para desenvolver a indústria militar no Chile, avalia analista
A Empresa Nacional de Aeronáutica (ENAER) apresentou nesta quarta-feira (8) o primeiro avião de treinamento desenvolvido inteiramente no Chile, o T-40 Newen, que substituirá o Pillán, utilizado há quatro décadas pela Força Aérea chilena.
Especialistas consultados pela Sputnik destacaram que, além do novo modelo, o marco fortalece os potenciais militares do Chile e impulsiona a modernização de seus caças F-16.
O lançamento do protótipo contou com a presença do presidente chileno, José Antonio Kast. O governo anunciou pretende preparar os pilotos da Força Aérea e tornar a aeronave compatível com a aviação de última geração.
Uma curva de aprendizado
Alcunhado com a palavra que significa "força" na língua mapudungun da etnia indígena mapuche, o Newen promete substituir o T-35 Pillán, outro modelo desenvolvido pelo Chile na década de 1980 e que ainda é utilizado pela Força Aérea do Chile e pelas forças da República Dominicana, El Salvador, Panamá, Equador, Paraguai e Espanha.
Em diálogo com a Sputnik, o analista geopolítico chileno Juan Pablo Berlinger destacou que o Newen não apenas permite à Enaer voltar a fabricar uma aeronave 100% chilena, como também ir além:
"Diferente do Pillán, agora o Chile o projetou e desenvolveu completamente sozinho, com engenharia chilena, o que demonstra a curva de aprendizado", explicou. "Com o T-40 Newen, a Enaer percebeu que precisávamos de uma plataforma de treinamento, porque não se trata apenas um avião. Há simuladores e todo um pacote de sistemas periféricos que não têm tanto a ver com o avião em si, mas ajudam na capacitação", destacou Berlinger.
De acordo com a Enaer, o sistema Newen inclui uma série de instrumentos que "aproximarão o piloto-aluno, de forma precoce, a tecnologias e procedimentos semelhantes aos de aeronaves de quarta e quinta geração".
Para Berlinger, uma das vantagens de o Chile ter projetado o sistema é que pode encarregar-se do treinamento de seus pilotos "com tecnologia de ponta, mas a baixos custos".
Durante a apresentação do avião, as autoridades da Enaer deixaram transparecer que a estatal chilena já pensa em possíveis novos projetos, como o design e desenvolvimento de uma aeronave turboélice e aeronaves não tripuladas para uso das Forças Armadas.
Rumo ao desenvolvimento da indústria nacional
Berlinger destacou que o Newen pode servir como "o primeiro passo" de um desenvolvimento que possa consolidar a indústria militar chilena, que já conta com outros marcos recentes, como a construção do quebra-gelo classe polar Almirante Óscar Viel, fabricado pelo estaleiro estatal Asmar para a Marinha do Chile. A mesma empresa planeja iniciar em 2032 a construção de fragatas.
Para o especialista, embora o Chile ainda esteja longe de potências regionais como o Brasil — que acaba de apresentar seus primeiros caças Gripen construídos localmente —, o país sul-americano apresenta uma "curva de aprendizado" que lhe permite pensar em "coisas maiores" na área militar.
Esse aprendizado, lembrou ele, deixou a empresa estatal à beira dos "números vermelhos" e agora a coloca novamente "em um roteiro com um futuro viável". Entretanto, ele opinou que a construção de um caça próprio deve ser uma ambição de longo prazo para o Chile:
"Embora nossa curva de aprendizado dê para muito, desenvolver um avião de combate está fora de nossa ótica no curto prazo. Somos um país relativamente pobre e temos que manter os pés no chão. Não temos essa tecnologia e não temos o suporte financeiro que, por exemplo, o Brasil tem", explicou.
Embora o país não tenha as capacidades para desenvolver novos caças, poderá fazer a manutenção e modernizar seus F-16, de forma a "dar-lhes mais dez ou 15 anos de vida".
Para o especialista em temas de defesa e vice-presidente executivo da AthenaLab, Richard J. Kouyoumdjian Inglis, o Newen não é feito estratégico, mas é positivo por ter mantido a Enaer ativa e atuante nos últimos anos, que a capacita para modernizar a frota existente.
"O Chile tem uma frota importante de F-16, que por enquanto não serão substituídos. Ainda têm muita vida útil e todos serão modernizados ao máximo possível, permitindo as versões que temos", enfatizou o especialista.
Além disso, comentou, o país sul-americano concentrará todos os seus esforços nesses modelos uma vez que desativar os caças F-5 que opera há meio século.
Por Sputinik Brasil
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