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Galípolo reforça necessidade de aporte do governo do DF para o BRB

Presidente do Banco Central destaca que solução para problema patrimonial do BRB depende de capitalização pelo controlador

08/04/2026
Galípolo reforça necessidade de aporte do governo do DF para o BRB
Galípolo reforça necessidade de aporte do governo do DF para o BRB - Foto: Reprodução

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reiterou nesta quarta-feira (8) que o Banco de Brasília (BRB) enfrenta um problema patrimonial devido ao envolvimento com o Banco Master. Segundo Galípolo, a solução passa necessariamente por um aporte financeiro do controlador da instituição, o governo do Distrito Federal.

"Melhorar o patrimônio depende, efetivamente, de um aporte por parte dos acionistas. É isso que a gente aguarda e vem fazendo todo tipo de comunicação ao BRB aguardando esse equacionamento da questão do acionista para fazer o devido aporte", afirmou o presidente do BC durante audiência na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado.

O BRB deveria ter publicado seu balanço de 2025, com detalhes sobre os impactos do envolvimento com o Master, até o último dia 31. Em 2023, o banco adquiriu R$ 12,2 bilhões em créditos falsos do Master. Embora o BRB tenha trocado essas carteiras inexistentes por outros ativos, ainda há dúvidas quanto ao valor real desses ativos.

Entretanto, o governo do Distrito Federal não conseguiu levantar recursos para capitalizar o banco, descumprindo o prazo estipulado. Uma nova assembleia foi marcada para o dia 22, com o objetivo de votar um aumento de capital.

A expectativa é de que seja necessária uma provisão próxima de R$ 8 bilhões para cobrir as perdas, o que exige um aporte significativo no capital do banco. O governo do DF ainda busca alternativas para viabilizar a capitalização.

Fortalecimento do papel do Banco Central

Galípolo também enfatizou a necessidade de fortalecer o papel do Banco Central como emprestador de última instância (lender of last resort), apto a fornecer liquidez a instituições financeiras não bancárias (NBFIs) em situações de crise.

"Esse tema é da ordem do dia, é o tema de fronteira de discussão hoje, e ele é essencial, porque como cada vez mais você tem instituições que concentram liquidez fora do sistema bancário, você tem esse risco", explicou Galípolo.

O presidente do BC ressaltou que a autarquia possui a infraestrutura necessária para socorrer o sistema financeiro em momentos críticos. Ele destacou que o avanço do chamado "shadow banking" — operações financeiras fora do sistema bancário tradicional — torna fundamental que o Banco Central possa também apoiar essas instituições, que ganham relevância sistêmica.

Galípolo citou o exemplo do Banco da Inglaterra (BoE), que precisou atuar para fornecer liquidez ao mercado durante a crise do "minibudget", no governo da ex-primeira-ministra Liz Truss. Na ocasião, fundos e institutos de previdência, que não estão sob o escopo tradicional dos bancos centrais, foram diretamente afetados.