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Mãe que matou homem acusado de tentar abusar da filha é absolvida pelo júri

Erica Silveira foi inocentada após júri considerar legítima defesa da filha de 11 anos, vítima de tentativa de abuso

25/03/2026
Mãe que matou homem acusado de tentar abusar da filha é absolvida pelo júri
Mãe que matou homem acusado de tentar abusar da filha é absolvida pelo júri - Foto: Marcelo Almeida / TJMG

Erica Pereira da Silveira Vicente, de 44 anos, foi absolvida pelo tribunal do júri em Minas Gerais após matar e mutilar o namorado, Everton Amaro da Silva, de 47 anos, ao flagrá-lo tentando abusar sexualmente de sua filha de 11 anos. O crime ocorreu em 11 de março de 2025, e a decisão de inocência foi proferida na última terça-feira, 24.

O júri popular, composto por quatro homens e três mulheres, votou majoritariamente pela absolvição no 2º Tribunal do Júri da Comarca de Belo Horizonte. Com quatro votos favoráveis, o julgamento foi encerrado assim que a maioria foi atingida. A juíza Maria Beatriz Fonseca Biasutti declarou improcedente a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG).

De acordo com o MP-MG, Erica teria colocado um sedativo na bebida de Everton e, enquanto ele dormia, o atacou com uma faca e um pedaço de madeira, cortando seu órgão genital. Com o auxílio de um adolescente, ela teria levado o corpo até uma área de mata e ateado fogo.

Por esses fatos, o Ministério Público denunciou Erica por homicídio qualificado — por motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima — além de destruição de cadáver e corrupção de menor.

A defesa, por sua vez, negou que Erica tenha sedado o companheiro, alegando que ele já chegou embriagado à residência. Segundo o relato, os dois se conheciam desde a infância e mantinham um relacionamento eventual, com Everton frequentemente pernoitando na casa de Erica, no bairro Taquaril, região leste de Belo Horizonte.

Erica relatou que, semanas antes do crime, descobriu que o namorado enviava mensagens de teor sexual para sua filha. Na noite do crime, ela acordou com os gritos da criança e flagrou Everton sobre a menina, com as calças abaixadas e tentando silenciá-la.

Segundo a própria Erica, ao presenciar a cena, conseguiu arrastar o homem até a sala, onde pegou uma faca e desferiu vários golpes, aproveitando o fato de ele estar com as calças abaixadas.

Ainda conforme o depoimento de Erica, após o crime, um jovem que ouviu a movimentação entrou na casa. Ambos teriam combinado de remover o corpo e levá-lo até uma área de mata, onde o cadáver foi incendiado.

Como se trata de julgamento em primeira instância, ainda cabe recurso. O Ministério Público de Minas Gerais, porém, não informou se pretende recorrer da decisão.

Em nota enviada ao Estadão, a defesa de Erica agradeceu o apoio recebido e destacou a importância da proteção de crianças e adolescentes. “Trata-se de uma situação extrema, marcada por violência e por uma reação que, para parcela significativa da sociedade, reflete um contexto de desespero e de proteção imediata da vítima”, afirmaram as advogadas Camila Mendes e Elida Fabricia.

Elas acrescentaram: “É fundamental destacar que nenhuma forma de violência deve ser naturalizada. Contudo, a análise de situações-limite deve ser realizada de forma responsável, contextualizada e humanizada, levando em consideração as circunstâncias concretas em que os fatos ocorreram. Proteger crianças e adolescentes é dever de todos. O silêncio também violenta”.