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Como a PF descobriu furto de material biológico de laboratório da Unicamp e prendeu professora

Professora foi flagrada retirando amostras virais de área restrita; Justiça concedeu liberdade provisória, mas impôs restrições.

25/03/2026
Como a PF descobriu furto de material biológico de laboratório da Unicamp e prendeu professora
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A professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Soledad Palameta Miller, que estava presa na Penitenciária Feminina de Mogi Guaçu (SP), obteve liberdade provisória concedida pela Justiça de São Paulo. Ela havia sido detida em flagrante pela Polícia Federal sob suspeita de furtar material biológico do Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada do Instituto de Biologia da universidade. A soltura ocorreu nesta terça-feira, 24.

Como medida cautelar, Soledad está proibida de acessar os laboratórios da Unicamp relacionados à investigação e não poderá deixar o país sem autorização judicial.

Procurada pelo Estadão, a defesa da professora afirmou que, devido ao sigilo decretado pela 9.ª Vara Federal de Campinas, não comentaria o caso. "Prezando pela segurança jurídica e pelo sigilo dos atos processuais, limitaremos nossas manifestações ao âmbito judicial, em respeito ao devido processo legal", diz a nota da defesa.

Como ocorreu a prisão e o que foi furtado?

A prisão de Soledad aconteceu durante investigação da Polícia Federal sobre o desaparecimento de amostras virais armazenadas em uma área classificada como NB-3, ambiente de alta contenção biológica, sujeito a rigorosos protocolos de biossegurança.

O sumiço foi constatado em 13 de fevereiro por uma pesquisadora que tem acesso ao local de armazenamento.

Segundo a Polícia Federal, amostras virais pertencentes ao Laboratório de Virologia Animal foram localizadas em outros laboratórios da Unicamp. Parte do material estava armazenada em freezers e outra parte havia sido descartada em lixeiras, com sinais de manipulação.

As investigações apontaram que a professora acessou diferentes laboratórios sem autorização, com auxílio de terceiros. Soledad teria mantido e manipulado amostras biológicas "em ambiente diverso do originalmente autorizado, com deslocamento entre laboratórios e armazenamento irregular, em desacordo com as normas técnicas e institucionais de controle, conforme identificado pelas equipes técnicas da universidade e pela atuação policial".

Durante as buscas, materiais foram encontrados no Laboratório de Engenharia Metabólica e de Bioprocessos (LEMEB), da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp, no Laboratório de Cultura de Células e no Laboratório de Doenças Tropicais, onde Soledad tinha espaço reservado para uso e guarda de material próprio. Segundo funcionários, a professora não possuía laboratório próprio e utilizava espaços cedidos por outros docentes.

Soledad Palameta Miller atua na área de Ciência de Alimentos do Departamento de Ciência de Alimentos e Nutrição da Unicamp. É biotecnologista formada pela Universidade Nacional de Rosario (Argentina) e doutora em Ciências, com foco em Fármacos, Medicamentos e Insumos para Saúde pela Unicamp.

Ela também atuou no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), desenvolvendo projetos em engenharia de vetores virais, imunomodulação e anticorpos monoclonais voltados à terapia do câncer.