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Dólar cai 0,67%, a R$ 5,22, com expectativa de cessar-fogo no Oriente Médio

25/03/2026
Dólar cai 0,67%, a R$ 5,22, com expectativa de cessar-fogo no Oriente Médio
- Foto: Reprodução

O dólar à vista encerrou esta quarta-feira, 25, em queda de 0,67%, a R$ 5,2202, em meio a uma melhora do apetite ao risco no exterior com a perspectiva de um cessar-fogo na guerra no Oriente Médio, embora autoridades iranianas neguem qualquer tipo de negociação com os Estados Unidos.

O real apresentou o melhor desempenho entre as moedas globais mais líquidas. A maioria das divisas latino-americanas e o rand sul-africano, principais pares do real, também ganharam terreno em relação ao dólar, mas com ganhos bem mais modestos.

Operadores afirmam que a moeda brasileira pode ter sido impulsionada por eventual fluxo estrangeiro para a bolsa doméstica e ajustes técnicos no segmento futuro, com menor pressão no cupom cambial (juro em dólar) após a venda na terça-feira de US$ 1 bilhão pelo Banco Central em leilão de linha, que representou injeção de recursos novos no mercado.

Os preços do petróleo recuaram, dando sequência ao alívio visto no pregão eletrônico no início da noite da terça, quando surgiram informações sobre uma proposta de Donald Trump para uma pausa de 30 dias na guerra - período no qual seria debatido um plano de 15 pontos, com destaque para a renúncia iraniana a armas atômicas. O contrato do Brent para junho fechou em baixa de 2,96%, a US$ 97,26 o barril.

Refletindo a queda do dólar futuro para abril na terça à noite, quando as negociações no segmento spot já haviam sido encerradas, a moeda norte-americana abriu a quarta-feira em queda firme no segmento à vista e desceu até a casa de R$ 5,20 no fim da manhã, ao registrar mínima de R$ 5,2051. A divisa americana acumula baixa de 1,68% na semana.

O gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, observa que o mercado segue muito sensível ao vaivém de informações sobre a guerra no Oriente Médio e se apoiou na possibilidade de um cessar-fogo para aparar prêmios em ativos de risco.

"Por aqui, vemos ainda ingresso de divisas aproveitando a atratividade do spread do juro real e a possibilidade de lucros rápidos da renda variável", afirma Galhardo, ressaltando que não se vê hoje escassez de dólares no segmento à vista. "O BC provavelmente atuou ontem para socorrer pontualmente algum banco com operação de financiamento no exterior".

O Banco Central informou nesta quarta-feira que o fluxo cambial total na semana passada, entre 16 e 20 de março, foi negativo em US$ 119 milhões, em razão de saída líquida de US$ 1,663 bilhão pelo canal financeiro, que abriga os investimentos em carteira, como ações e renda fixa. No mês, até o dia 20, o fluxo total é negativo em US$ 4,724 bilhões, com saídas líquidas de US$ 9,980 bilhões pelo canal financeiro.

À tarde, a Casa Branca afirmou que os EUA estão próximos de alcançar seus objetivos no Irã. Segundo a secretária de imprensa, Karoline Leavitt, as negociações com Teerã nos últimos três dias têm sido "produtivas", embora "nenhuma negociação de paz deva ser considerada oficial neste momento".

"O comportamento do câmbio segue muito atrelado ao cenário externo, mais positivo hoje com queda do petróleo. Em todo caso, o recuo do dólar hoje parece mais um ajuste técnico do que como algo estrutural, porque há muita incerteza sobre o possível cessar-fogo", afirma a economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli.

Em relatório, o Barclays afirma que segue com uma visão construtiva para o real e projeta taxa de câmbio em R$ 5,30 no fim do ano. A perspectiva é que o real mantenha desempenho superior ao dos pares neste momento de aversão ao risco, dado que o Brasil é exportador líquido de petróleo e tem juros reais mais elevados entre emergentes. "Achamos que fatores globais dominarão o câmbio até o final de julho, quando o foco deve mudar para as eleições", diz a instituição.

Pela manhã, Pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ) com 47,6% das intenções de voto em simulação de segundo turno para a eleição presidencial, numericamente à frente do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que aparece com 46,6%. Considerando a margem de erro, os candidatos estão tecnicamente empatados.

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