Geral
ONU reconhece escravidão como maior crime contra a humanidade; Brasil apoia, EUA, Israel e Argentina rejeitam
Assembleia Geral aprova resolução histórica sobre escravidão e tráfico transatlântico; países europeus se abstêm.
A Assembleia Geral da ONU aprovou, nesta quarta-feira (25), uma resolução que declara a escravidão e o tráfico transatlântico de africanos como os crimes mais graves contra a humanidade. A votação contou com 123 votos favoráveis, incluindo o Brasil, enquanto 52 países — principalmente europeus — se abstiveram. Apenas Estados Unidos, Israel e Argentina rejeitaram a proposta, alegando que o texto promovia uma "competição entre crimes".
Apresentada por Gana e pela União Africana, a resolução pede que os Estados que se beneficiaram desses crimes reconheçam suas responsabilidades, peçam desculpas e contribuam para projetos de reparação voltados aos descendentes das vítimas. O texto também incentiva a adoção de políticas de combate ao racismo e a restituição de bens culturais e espirituais saqueados de países africanos.
O presidente de Gana, John Mahama, esteve na sede da ONU para apoiar a votação e classificou a decisão como "histórica". Embora não tenha patrocinado o texto inicialmente, o Brasil aderiu como copatrocinador durante a sessão. O país foi o principal destino do tráfico transatlântico, recebendo cerca de 5 milhões de pessoas escravizadas entre os séculos XVI e XIX.
Na véspera da votação, Mahama criticou políticas que, segundo ele, "normalizam lentamente o apagamento" da escravidão e do tráfico transatlântico, ressaltando a diminuição do debate sobre o tema nas escolas dos Estados Unidos.
Em sua justificativa para o voto contrário, os Estados Unidos classificaram o texto como "altamente problemático", acusando-o de criar uma "competição" entre crimes históricos. Argumentos semelhantes foram apresentados pela União Europeia, que optou pela abstenção. O ministro das Relações Exteriores de Gana, Samuel Okudzeto, rebateu as críticas:
"Não estamos hierarquizando o sofrimento. Não estamos dizendo que o nosso sofrimento é mais valioso que o seu", afirmou Okudzeto. "O que estamos dizendo é que, quando se observa todas as atrocidades que ocorreram na história da humanidade, nenhuma foi tão sistêmica, tão duradoura, com mais de 300 anos e com consequências tão permanentes".
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