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Antes da domiciliar, Bolsonaro transformou Papudinha em centro de articulações eleitorais

Durante dois meses de prisão, ex-presidente recebeu aliados e definiu estratégias para o cenário eleitoral de 2026

25/03/2026
Antes da domiciliar, Bolsonaro transformou Papudinha em centro de articulações eleitorais
Bolsonaro utilizou a Papudinha como centro de articulações políticas para as eleições de 2026, recebendo aliados e definindo estratégias. - Foto: © AP Photo / Luis Nova

O ex-presidente Jair Bolsonaro passou dois meses detido na Papudinha, em Brasília, período em que a unidade militar se tornou palco de intensas articulações políticas para as eleições de 2026.

Segundo apuração do G1, Bolsonaro, preso por violação de medidas cautelares, transformou a Papudinha em um verdadeiro centro de articulação eleitoral, recebendo uma série de visitas de aliados.

Em dezembro, ainda na sede da Polícia Federal (PF), o senador Flávio Bolsonaro (PL) anunciou sua pré-candidatura à Presidência, com apoio declarado do pai. Após a transferência para a Papudinha, em janeiro, aumentou o fluxo de políticos em busca de aval para disputas estaduais e ao Senado.

Nesta semana, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, autorizou que Bolsonaro cumpra 90 dias de prisão domiciliar, após receber alta do hospital onde trata uma broncopneumonia. Após esse período, Bolsonaro poderá retornar à Papudinha, mas sob rígidas restrições, como proibição de uso de celular, gravação de vídeos ou recebimento de visitas que não sejam de advogados e filhos.

Durante sua permanência na unidade, Bolsonaro recebeu figuras como Tarcísio de Freitas (Republicanos), Nikolas Ferreira (PL), Rogério Marinho (PL), Sanderson (PL), Hélio Lopes (PL) e outros aliados do Partido Liberal (PL) e de legendas próximas. Muitos desses encontros resultaram em anúncios públicos de candidaturas e alinhamentos regionais.

Flávio Bolsonaro assumiu o papel de porta-voz das decisões do pai na prisão. Ele anunciou, por exemplo, que Carlos Bolsonaro e Carol De Toni seriam os candidatos do grupo ao Senado em Santa Catarina, preterindo o aliado Espiridião Amin (Progressistas).

Também confirmou a pré-candidatura de Guilherme Derrite (Progressistas) ao Senado por São Paulo, após visita do deputado.

Outros aliados receberam missões políticas: Nikolas Ferreira afirmou ter sido autorizado a articular alianças em Minas Gerais, enquanto Sanderson disse ter sido incumbido de atuar como porta-voz político e revelou que Bolsonaro já definiu nomes para o Senado em alguns estados, incluindo o próprio Sanderson e Marcel Van Hattem (Novo), no Rio Grande do Sul.

A trajetória recente de Bolsonaro inclui sua condenação a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. Em novembro, ele foi preso preventivamente após tentar violar a tornozeleira eletrônica, e a PF apontou risco de fuga. Inicialmente, ficou detido na Superintendência da PF, com visitas restritas a familiares e advogados.

Em janeiro, Moraes determinou sua transferência para a Papudinha, onde Bolsonaro recebeu mais de 200 atendimentos médicos.

Em março, ele deixou a unidade prisional para ser internado em um hospital particular devido a uma broncopneumonia. Após passar pela UTI, permanece internado sem previsão de alta, agora autorizado a cumprir parte da pena em regime domiciliar por 90 dias, com reavaliação prevista conforme evolução do quadro de saúde.

Por Sputinik Brasil