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Incerteza com guerra e ata do Copom derrubam Ibovespa, mas alta do petróleo atenua

24/03/2026
Incerteza com guerra e ata do Copom derrubam Ibovespa, mas alta do petróleo atenua
Incerteza com guerra e ata do Copom derrubam Ibovespa, mas alta do petróleo atenua - Foto: Depositphotos Foto: https://depositphotos.com/

As incertezas sobre as negociações de Teerã com os Estados Unidos para pôr fim à guerra direcionada aos mercados. Neste cenário, o Ibovespa caiu nesta terça-feira, 24, após ter avançado 3,24% ontem, aos 181.931,93 pontos.

"A queda nesta manhã é mais uma correção da alta de ontem. Não dá nem para cobrir toda a valorização", diz Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos. Enquanto as bolsas caíam, o petróleo subiu hoje, com elevação na faixa de 4%, o que estimula papéis do setor de petróleo e consequentemente limita o retorno do Ibovespa. Os papéis da Petrobras sobem em torno de 3%.

Sem novidades a respeito da guerra no Oriente Médio, sessão, por hora, está sem grande volatilidade, como em outros pregões, ressalta João Daronco, analista da Suno Research. "As falas de Trump são que movimentaram os mercados, colocadas panos quentes em alguns momentos. Hoje não temos nada, por enquanto. Talvez os ativos obtenham menos voláteis", estimou, ao referir-se ao presidente dos EUA, Donald Trump.

Somam-se às dúvidas sobre a duração da guerra no Oriente Médio ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgadas nesta manhã pelo Banco Central. O documento, segundo alguns analistas, reforçou a aposta de um novo corte da Selic em abril, após o declínio de 0,25 ponto porcentual, para 14,75% ao ano, na semana passada. “A dúvida é quanto à magnitude da queda e o tamanho do ciclo final”, afirma Cima, da Manchester.

Na ata o BC diz que a magnitude e a duração do ciclo de permanência da Selic serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações sejam incorporadas à análise. O colegiado reforçou manter o compromisso fundamental de garantia da convergência da inflação no meta dentro do horizonte relevante para a política monetária.

Segundo Silvio Campos Neto, economista sênior da Tendências Consultoria, de forma geral, ata colocou a evolução do conflito geopolítico e sinais de desaceleração da atividade como determinantes para a magnitude e a duração do ciclo de "calibração" dos juros.

"Ao qualificar o corte de 25 bps como adequado 'nesse momento', o texto não desautoriza apostas de alegria quando o cenário se rir", avalia em nota o sócio da Tendências.

Para Carlos Lopes, economista do banco BV, o tom da ata se alinha ao texto do Copom após a decisão da semana passada. "Não altere a sinalização dada no comunicado. Segue o jogo", diz. “Acho que o próximo corte é 0,25 ponto. A barra é alta para possíveis mudanças de plano”, completa Lopes.

Sobre o conflito no Oriente Médio, hoje o Irã nomeou um ex-comandante da Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC, pela sigla em inglês) como novo secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do país, em substituição a Ali Larijani, morto em um ataque aéreo no último dia 16. Paralelamente, o porta-voz do alto comando militar do Irã afirmou nesta terça-feira que as Forças Armadas do país lutarão "até a vitória completa", após Trump ter afirmado ontem que ambos os países estavam em negociação, o que motivou apetite por risco.

Após cair ontem à mínima de R$ 5,2157, o dólar fechou em baixa de 1,29%, a R$ 5,2407, e, às 11h12, subia 0,20%, a R$ 5,2518.

O Ibovespa caiu 0,21%, aos 181.552,44 pontos, ante recuo de 1,11%, na mínima em 179.914,53 pontos, e alta de 0,06%, na máxima a 182.041,70 pontos, vindo de abertura aos 181.931,93 pontos, com variação zero.

A mineração de ferro subiu hoje 0,55% em Dalian, na China, a US$ 119,74 a tonelada. Vale virava para o positivo (0,14%). A Petrobras avançou entre 3,61% (PN) e 3,53% (ON).