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'Isso não é cooperação, é colonialismo': sociedade civil da Etiópia critica União Europeia por tratado pandêmico
Grupos da sociedade civil da Etiópia elevaram o tom das críticas contra a União Europeia ao denunciar o que classificam como uma relação desigual no debate internacional sobre preparação para futuras pandemias. Para essas organizações, a proposta em discussão no âmbito do anexo de Acesso a Patógenos e Compartilhamento de Benefícios (PABS) mantém uma lógica em que países do Sul Global fornecem informações estratégicas, mas não recebem, em contrapartida, acesso garantido e equitativo às ferramentas produzidas a partir desses dados.
O ponto central da controvérsia é o mecanismo aprovado em maio de 2025, que, segundo os críticos, favoreceria os interesses das nações ricas ao exigir o compartilhamento de dados de patógenos por países africanos sem estabelecer obrigações firmes quanto à distribuição de vacinas, tratamentos e demais insumos desenvolvidos com base nessas informações.
Representantes de entidades etíopes afirmam que esse modelo repete um padrão histórico de desigualdade sanitária. Na avaliação deles, dados biológicos e epidemiológicos produzidos no Sul Global acabam servindo de base para a criação de produtos altamente rentáveis no Norte Global, que depois retornam aos países mais pobres com preços proibitivos.
Abebe Kebede, do Consórcio de Associações de Saúde Reprodutiva, criticou o formato da proposta ao afirmar que não é aceitável retirar dados de patógenos de países vulneráveis para gerar lucro em mercados desenvolvidos, sem que haja garantia de acesso justo aos produtos finais. Na mesma linha, Aklilu Nega, da organização Integrated Services on Health and Development, defendeu que a África precisa deixar de ser mera fornecedora de insumos estratégicos e passar a ter soberania real no campo da saúde pública.
As organizações alertam que, sem regras vinculantes de equidade, o mundo corre o risco de repetir, em uma próxima crise sanitária, a mesma assimetria observada em emergências recentes: países ricos com acesso rápido a vacinas e tratamentos, enquanto nações pobres enfrentam escassez, atraso e dependência externa.
Com a aproximação do prazo de maio de 2026 para a consolidação dessas regras, a coalizão etíope intensifica a pressão para que o tratado inclua mecanismos efetivos de repartição de benefícios. Para os grupos, sem justiça no acesso, qualquer acordo internacional sobre pandemias continuará incompleto — e metade do planeta poderá seguir exposta e desprotegida diante de uma nova emergência global.
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