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Itaipu, Mercosul e crime transnacional: Lula recebe Peña em encontro bilateral na COP15

Presidentes do Brasil e Paraguai discutem integração, segurança e futuro de Itaipu durante conferência em Campo Grande

23/03/2026
Itaipu, Mercosul e crime transnacional: Lula recebe Peña em encontro bilateral na COP15
Lula e Peña debatem Itaipu, Mercosul e segurança em encontro durante a COP15 em Campo Grande - Foto: © Foto / Guilherme Correia

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e Santiago Peña, do Paraguai, se reuniram neste domingo (22) em um encontro bilateral à margem da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias (COP15), realizada em Campo Grande (MS).

A reunião antecedeu a abertura oficial do evento e foi considerada um dos principais compromissos diplomáticos da cúpula, sediada pelo Brasil pela primeira vez.

Na pauta, estiveram temas centrais da relação entre Brasil e Paraguai, como integração comercial no âmbito do Mercosul e estratégias conjuntas de combate ao crime transnacional. O futuro da Usina de Itaipu, uma das maiores hidrelétricas do mundo e administrada conjuntamente pelos dois países, também foi destaque, especialmente diante das negociações para revisão do tratado fundador da usina.

Além da agenda bilateral, Lula e Peña participaram do segmento presidencial da COP15, onde subscreveram a Declaração do Pantanal e anunciaram compromissos de conservação ambiental para a região compartilhada com a Bolívia. O ministro das Relações Exteriores da Bolívia, Fernando Hugo Carrasco, também esteve presente.

ONU e soberania

Durante a conferência, Lula foi além da pauta ambiental e criticou diretamente o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), afirmando que países vêm promovendo "atentados à soberania" e que o órgão máximo de segurança internacional não tem cumprido seu papel.

"O Conselho de Segurança tem sido omisso na busca por soluções de consenso", afirmou Lula. "Um mundo sem regras é um mundo inseguro, onde qualquer um pode ser a próxima vítima."

Lula também contextualizou a crise ambiental dentro de um cenário mais amplo de instabilidade global, ressaltando que a história da humanidade "também é uma história de migrações, deslocamentos, vítimas e conexões" — conectando o debate geopolítico ao tema central da conferência.

O presidente brasileiro citou ainda exemplos positivos do multilateralismo, como o processo de descolonização, a prevenção de armas químicas e biológicas, a recomposição da camada de ozônio, a erradicação da varíola e o apoio a refugiados.

A conferência tem início oficial nesta segunda-feira (23) e segue até 29 de março, sob presidência do secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente (MMA), João Paulo Capobianco.

O Brasil comandará a convenção pelos próximos três anos e pretende aprovar a Declaração do Pantanal, convidando novos membros além dos atuais 133. O governo brasileiro busca ampliar o número de signatários, captar mais recursos e lançar editais de pesquisa sobre espécies migratórias.

São esperados mais de 2 mil delegados. Entre as prioridades estão ações conjuntas com Bolívia e Paraguai para proteger espécies do Pantanal e combater incêndios transfronteiriços.

Por Sputinik Brasil