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Astrônomos detectam possível colisão de planetesimais gigantes a 11,6 mil anos-luz da Terra
Evento raro foi registrado próximo a estrela jovem semelhante ao Sol; nuvem de poeira e detritos foi observada por diversos telescópios.
Astrônomos identificaram um possível caso de colisão entre grandes planetesimais em um disco ao redor de uma estrela jovem semelhante ao Sol, localizada a cerca de 11.600 anos-luz da Terra. O impacto teria gerado uma nuvem de poeira quente e detritos, detectada por vários telescópios ao longo dos últimos anos.
Essas colisões costumam ocorrer nas fases finais da formação de sistemas planetários, quando o disco protoplanetário já apresenta pouco gás. Segundo modelos teóricos, são esses eventos catastróficos que permitem que planetas rochosos atinjam suas massas observadas. Envolvendo embriões planetários de tamanho comparável ao de Marte, as colisões são mais comuns nos primeiros 200 milhões de anos de vida de um sistema, tornando-se raras nos dois bilhões de anos seguintes. Como produzem nuvens de poeira e detritos que podem persistir por longos períodos, essas colisões podem ser identificadas a partir do monitoramento do brilho infravermelho dos discos de detritos em estrelas jovens.
Os astrônomos Anastasios Tzanidakis e James Davenport, da Universidade de Washington, relataram a descoberta de um candidato interessante para esse fenômeno: uma nuvem de detritos associada à estrela Gaia-GIC-1, com massa aproximadamente 1,3 vez a do Sol. O objeto foi inicialmente observado como transiente pelo telescópio espacial Gaia. O estudo foi publicado na revista The Astrophysical Journal Letters.
As primeiras alterações de brilho na estrela Gaia-GIC-1 foram registradas há quase uma década, mas foi durante a análise de dados antigos que Tzanidakis notou algo incomum, segundo o portal Science Alert.
"A emissão de luz da estrela era estável, mas, a partir de 2016, ocorreram três quedas de brilho. E então, por volta de 2021, o comportamento ficou completamente anômalo", explicou o pesquisador. No mesmo período, a estrela tornou-se mais brilhante na faixa do infravermelho.
"A curva de luz infravermelha era o oposto completo da luz visível", afirma Tzanidakis.
"Enquanto a luz visível começava a oscilar e diminuir, a luz infravermelha aumentava. Isso pode indicar que o material que bloqueava a estrela estava muito quente – a ponto de brilhar no infravermelho", acrescentou.
A causa das quedas de luminosidade não estava relacionada à estrela em si: grandes quantidades de rochas e poeira – aparentemente surgidas do nada – passavam diante da estrela enquanto orbitavam o sistema, obscurecendo de forma irregular a luz que chegava à Terra. A provável origem de todo esse material seria uma colisão catastrófica entre dois planetesimais.
"É impressionante que diversos telescópios tenham conseguido registrar esse impacto praticamente em tempo real", concluiu Tzanidakis.
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