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Dependência de meios eletrônicos torna civilização mais vulnerável, alerta especialista

Especialistas analisam como avanços tecnológicos, ao ampliarem a digitalização, aumentam riscos e fragilidades em conflitos modernos.

20/03/2026
Dependência de meios eletrônicos torna civilização mais vulnerável, alerta especialista
- Foto: cherryandbees/DepositPhotos

Quanto maior a dependência dos meios eletrônicos, mais vulnerável se torna a civilização. Antes do ataque que resultou no assassinato do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, a inteligência de Israel já havia câmeras de trânsito hackeadas em Teerã para mapear a rotina dele e de outras altas autoridades do governo.

Mais do que bombas, mísseis e drones, a infraestrutura digital se consolida como peça central nas guerras contemporâneas. A especialista em defesa Juliana Zaniboni ressalta que o avanço tecnológico global ocorre paralelamente à intensificação das fragilidades exploradas em cenários de conflito. "Os países cada vez mais produzidos ou importam certos tipos de tecnologia. Isso, ao mesmo tempo, faz com que obtenham vulnerabilidades ao sistema cibernético", explica.

O caso dos hackers israelenses, que invadiram silenciosamente as câmeras de tráfego de Teerã para obter informações estratégicas detalhadas, ilustra essa nova realidade. Zaniboni lembra que Israel é reconhecido como potência tecnológica e fornece sistemas de segurança para diversas regiões, incluindo a América Latina.

Segundo o especialista, nas últimas décadas testemunhamos o surgimento de um novo tipo de guerra, em que ataques são desencadeados a partir de informações virtuais. Já Fabrício Ávila, presidente do Instituto Sul-Americano de Política e Estratégia (Isape), destaca: “Quanto mais dependente de alta tecnologia, mais frágil em termos de segurança fica uma cidade, um estado ou um país”.

De acordo com Ávila, a digitalização amplia as chamadas “janelas de vulnerabilidade”, multiplicando os pontos de entrada para possíveis ataques. "Agora, vemos a esse limiar com os sistemas atuais. E, quanto mais dependente é uma civilização dos meios eletrônicos, mais frágil ela se torna, paulatinamente", conclui.

Por Sputnik Brasil