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Justiça condena membros de torcida organizada a 33 anos de prisão por tentativa de homicídio em Maceió

Após 19 horas de julgamento, Tribunal do Júri aplica pena rigorosa a envolvidos em ataque brutal contra torcedores do CRB em 2023

Redação 20/03/2026
Justiça condena membros de torcida organizada a 33 anos de prisão por tentativa de homicídio em Maceió
- Foto: Ascom PMAL

Em uma sessão que se estendeu pela madrugada desta sexta-feira (20), o Tribunal do Júri da 9ª Vara Criminal de Maceió condenou Jozedaque Jecteel Português da Silva e Thiago Alves Lyra Santos a penas que superam os 33 anos de reclusão. Os réus foram considerados culpados pela tentativa de homicídio qualificado contra dois torcedores do Clube de Regatas Brasil (CRB), em um crime motivado por rivalidade entre organizadas.

A sentença, proferida no Fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes, encerra um julgamento exaustivo de mais de 19 horas, marcado pela tensão no plenário e pelo forte esquema de segurança no bairro do Barro Duro.

O Crime: Emboscada e Violência

O caso remonta a 2 de agosto de 2023. Segundo a denúncia do Ministério Público de Alagoas (MPAL), as vítimas, Symei Araújo e Michael Douglas, estavam em frente a uma residência quando foram surpreendidas por um grupo ligado à torcida Mancha Azul, do CSA.

Os agressores desceram de veículos armados com porretes e tacos. Enquanto dois jovens conseguiram escapar, Symei e Michael foram alcançados e brutalmente espancados.

Symei Araújo: Sofreu traumatismo cranioencefálico grave, passou meses em coma e ainda carrega sequelas severas que exigem cuidados médicos constantes.

Michael Douglas: Também foi alvo das agressões, mas conseguiu sobreviver ao ataque.

Tensão no Plenário

O clima durante o julgamento refletiu a rivalidade das arquibancadas. O juiz presidente da sessão precisou intervir e determinar a retirada do público do fórum após registros de provocações e princípios de tumulto entre integrantes de torcidas organizadas que acompanhavam o rito.

A defesa dos réus tentou sustentar a tese de inocência, apresentando versões alternativas e testemunhas para afastar a participação de Jozedaque e Thiago no espancamento. No entanto, o Conselho de Sentença acatou a tese da acusação, que utilizou imagens e depoimentos para confirmar a presença direta dos acusados no local do crime.

A Sentença

Cada um dos condenados recebeu a pena de 33 anos e cinco meses de reclusão. Como ambos já se encontravam custodiados no sistema prisional alagoano, retornarão imediatamente ao regime fechado.

"A decisão do júri reafirma a intolerância das instituições com a violência disfarçada de paixão clubística", pontuou o órgão ministerial durante o encerramento dos debates.

Embora a decisão encerre a fase de julgamento em primeira instância, as defesas dos condenados ainda podem recorrer da sentença em instâncias superiores.