Geral
Ibovespa reage à virada do petróleo e volta aos 180 mil pontos
Índice brasileiro recupera perdas após declarações de Netanyahu sobre o Estreito de Ormuz e movimentação global do petróleo
Declarações do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, de que Israel está colaborando com os Estados Unidos para reabrir o Estreito de Ormuz à passagem segura de embarcações provocaram uma reviravolta nos mercados globais na tarde desta quinta-feira, 19. O Ibovespa, que vinha operando em queda, rapidamente saltou dos 179 mil para os 181 mil pontos no melhor momento do dia, revertendo perdas para fechar com alta de 0,35%, aos 180.270,62 pontos. O giro financeiro foi de R$ 38,3 bilhões.
Outras declarações de Netanyahu, afirmando que o Irã não teria mais capacidade de enriquecer urânio ou repor mísseis, aumentaram a percepção de que Estados Unidos e Israel estão próximos de anunciar o cumprimento dos objetivos que motivaram o ataque ao país persa — fator considerado fundamental para a estabilização dos preços do petróleo, pressionados desde o início do conflito.
Entre 16h e 16h07, o Ibovespa registrou forte volatilidade, passando de 179.552,05 para 181.250,84 pontos, em um intervalo de poucos minutos. No entanto, a euforia foi contida após Netanyahu afirmar em rede nacional que não há prazo definido para o fim da guerra no Irã: "Ainda temos metas a cumprir".
O preço do petróleo continuou em baixa, porém menos acentuada após a informação de que a liberação de reservas estratégicas dos países, sob coordenação da Agência Internacional de Energia (AIE), será maior do que o previsto inicialmente.
No cenário global, o impacto da alta do petróleo sobre inflação e juros tem reduzido o apetite por ações, especialmente em mercados emergentes como o Brasil. "O mercado começa a consolidar um novo regime mais desafiador, com petróleo elevado, inflação pressionada e bancos centrais com menor espaço para flexibilização monetária, reacendendo o risco de estagflação global", avalia Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil.
Para Leonardo Santana, sócio da Top Gain, a imprevisibilidade do conflito permanece. "Não há clareza sobre a duração desse conflito. Pode ser breve, como sugeriu Donald Trump ao mencionar cinco semanas, ou pode se prolongar. Já há ataques do Irã a estruturas estratégicas no Catar, envolvendo bases de gás liquefeito, essenciais para o abastecimento energético global", afirma.
Pela manhã, o Ibovespa chegou à mínima de 176.295,71 pontos, variando quase 5 mil pontos ao longo do dia. As ações do setor financeiro, de maior peso no índice, reagiram em bloco, fechando em alta entre +0,05% (Bradesco PN) e +1,15% (Santander Unit). Petrobras ON e PN desaceleraram ganhos e fecharam em baixa de -0,12% e -0,47%, respectivamente, acompanhando a queda dos contratos futuros do petróleo em Londres e Nova York. Vale ON recuou 0,65%.
Entre as maiores altas do dia estiveram Hapvida (+14,98%), Natura (+4,28%) e Eneva (+3,90%). No lado oposto, Minerva (-10,70%), Brava (-4,33%) e Vamos (-2,87%) lideraram as perdas. Nos Estados Unidos, os principais índices também oscilaram, mas encerraram em baixa: Dow Jones -0,44%, S&P 500 -0,27% e Nasdaq -0,28%.
Apesar da reviravolta, o Brent e o WTI acumulam altas de 46% e 41% no mês, período que coincide com o início da guerra ao Irã, em 28 de fevereiro. Nesta quinta-feira, o Ibovespa operou na mínima intradia desde 23 de janeiro, até a guinada provocada pelas declarações de Netanyahu.
Mais lidas
-
1CAMPEONATO BRASILEIRO
Grêmio empata com Red Bull Bragantino e desperdiça chance de entrar no G-4
-
2ALERTA METEOROLÓGICO
Litoral de SP pode registrar em poucas horas chuva prevista para o mês inteiro
-
3DESFALQUE NA DECISÃO
Cássio sofre estiramento no joelho e desfalca Cruzeiro na final do Mineiro; Gerson está liberado
-
4DENÚNCIA NA PGR
Deputado do Novo protocola notícia-crime contra Moraes e esposa por suposto envolvimento no caso Master
-
5SAÚDE
Anvisa aprova medicamento inovador que retarda avanço do diabetes tipo 1