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Para FMI, aperto de condições financeiras pode criar ambiente mais difícil para emergentes

Diretora do Fundo Monetário Internacional alerta que tensões no Oriente Médio aumentam riscos para economias como o Brasil.

19/03/2026
Para FMI, aperto de condições financeiras pode criar ambiente mais difícil para emergentes
Julie Kozack

Julie Kozack, diretora de Comunicações do Fundo Monetário Internacional (FMI), alertou nesta quinta-feira (19) para o risco de um ambiente mais difícil para as economias emergentes — incluindo o Brasil — diante dos impactos financeiros decorrentes da guerra no Oriente Médio. Segundo Kozack, a situação global é "fluida" e "incerta".

"Condições financeiras globais mais apertadas têm o potencial de tornar ou criar um ambiente mais difícil para todas as economias emergentes e até mesmo para algumas economias avançadas", avaliou Kozack durante conversa com jornalistas.

De acordo com ela, os mercados globais responderam aos conflitos com maior volatilidade, mas o efeito nas condições financeiras mundiais dependerá da duração e intensidade da guerra, que envolve EUA e Israel de um lado e o Irã do outro. O conflito já entra em sua terceira semana.

"Os preços das ações globais caíram. Os rendimentos dos títulos aumentaram em vários países, incluindo economias avançadas como Estados Unidos, Reino Unido e Europa, mas também em países emergentes e em desenvolvimento", detalhou Kozack. "O quadro agora, e os canais, o impacto geral, claro, vão depender muito da duração e intensidade do conflito", reforçou.

Argentina

Sobre a Argentina, Kozack afirmou que o país enfrentou o choque "relativamente bem", apesar do "ambiente global mais desafiador". "O progresso está continuando em algumas frentes-chave, o engajamento entre a equipe do FMI e as autoridades argentinas é muito próximo, e as negociações estão avançando", relatou.

A porta-voz do FMI destacou que a principal diferença na resposta argentina ao recente choque está no fato de o país ser agora exportador líquido de energia. "Em 2022, quando tivemos o último grande choque de preços de energia, a Argentina era importadora líquida. Agora, é exportadora líquida de US$ 8 bilhões em petróleo e gás no ano passado", explicou.

O FMI espera avanços adicionais na Argentina, justamente pelo país ter se tornado exportador líquido de energia no médio prazo.

Segundo Kozack, o Fundo observa o início de uma tendência que proporciona um "fator de mitigação significativo" para a economia argentina.

"As reformas estão avançando em múltiplas frentes na Argentina para consolidar os ganhos de estabilização iniciais que vimos", concluiu.