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Alliança Saúde pede proteção judicial para evitar corrida de credores

Empresa busca medida cautelar diante de dívidas e conflito com credores, especialmente a Siemens

19/03/2026
Alliança Saúde pede proteção judicial para evitar corrida de credores
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Alliança Saúde anunciou na manhã desta quinta-feira (19) que entrou com um pedido de proteção judicial para evitar execuções por parte de credores. Enfrentando uma dívida de R$ 1,3 bilhão, a empresa busca, por meio de medida cautelar antecedente, impedir uma corrida de credores enquanto negocia em uma câmara de mediação empresarial especializada, instaurada na quarta-feira (18).

De acordo com a ação, à qual o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) teve acesso, a solicitação de proteção foi motivada por uma "conduta beligerante" da Siemens, uma das credoras, durante as negociações em andamento. O documento relata que havia um acordo de crédito entre as partes, mas a Siemens reteve mais de R$ 10 milhões das contas bancárias da Alliança.

O grupo, que controla marcas como Axial, CDB e Multilab, afirma que a Siemens notificou extrajudicialmente o rompimento do contrato, declarou a incidência retroativa de juros por inadimplência e passou a manter a prerrogativa de cancelar desembolsos remanescentes, antecipar vencimentos de dívidas e exercer bloqueios patrimoniais.

Segundo o documento, o credor justifica as medidas alegando alterações no controle societário da Alliança e descumprimento de obrigações contratuais — alegações negadas pela empresa de clínicas de diagnósticos.

A Alliança sustenta que a "estrutura arquitetada pela Siemens relativa aos recebíveis ofertados em garantia confere ao credor a capacidade de interferir diretamente em todo o fluxo financeiro do Grupo Alliança, inclusive sobre receitas operacionais essenciais, travando todo o fluxo financeiro".

Embora a ação tenha sido motivada principalmente pelo conflito com a Siemens, a proteção judicial solicitada deve abranger todos os credores convocados para a mediação, permitindo a continuidade das negociações e evitando um eventual pedido de recuperação judicial.

O documento ressalta o risco de outros credores exigirem vencimento antecipado de contratos financeiros, que somam R$ 1,1 bilhão, o que inviabilizaria a operação da empresa e justifica o pedido de proteção. O texto cita, inclusive, que o Itaú Unibanco já ingressou com processo de execução extrajudicial para bloquear cerca de R$ 4 milhões do grupo.

No início do mês, o fundo de investimento Tessai, gerido pela Geribá Investimentos, assumiu o controle do Grupo Alliança, substituindo o empresário Nelson Tanure.