Geral
Ouro despenca quase 6% com intensificação da guerra no Oriente Médio
Conflito na região, alta do dólar e redução de compras por países árabes pressionam o preço do metal precioso
O contrato mais líquido do ouro registrado caiu superior a 6% nesta quinta-feira, 19, após chegar a recuperar mais de 9% durante o pregão. O metal foi pressionado por um cenário em que a escalada da guerra no Oriente Médio reverteu os fundamentos que tinham sustentado as cotações no início do ano. O fortalecimento do dólar, a elevação dos preços do petróleo e a redução das compras institucionais por países árabes explicam o movimento de baixa do ouro.
Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o ouro para abril fechou em queda de 5,9%, cotado a US$ 4.605,7 por onça-troy. A prata para maio também recuou, com perda de 8,2%, a US$ 71,21 por onça-troy.
Segundo a TD Securities, o momento é considerado um “grande problema para o ouro”. A instituição já vinha alertando para um possível "colapso" nas cotações da commodity a partir da intensificação do conflito. “Os CTAs (Consultores de Negociação de Commodities) devem seguir vendendo no curto prazo, na maioria dos cenários de preços, ainda que em escala modesta”, avalia o banco.
A TD Securities destaca que cobre rapidamente os riscos dos países do Oriente Médio, que desempenharam papel relevante nas compras não declaradas de ouro pelo setor oficial, reduzindo suas aquisições a zero diante do impacto econômico crescente da guerra. “Isso criou vulnerabilidades de queda nos preços do ouro”, pontua. Com o avanço dos preços da energia, o risco se amplia globalmente para países importadores, alerta a instituição.
O banco ressalta ainda que, sem o apoio do setor oficial, a participação de investidores institucionais no mercado de ouro se torna mais vulnerável. A redução da demanda oficial elimina uma saída para esses investidores em um mercado já saturado.
"A participação sem precedentes do varejo já levou os preços aos extremos nos últimos meses. Haverá um momento de compra, mas a linha de tendência da fase de alta do ouro ainda está cerca de US$ 1.000 abaixo dos preços atuais, exceção potencial específica de queda — sem, no entanto, comprometer técnicas o mercado de alta", conclui o relatório.
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