Geral
Otan utilizou direito internacional como instrumento para intervenção e queda de Kadhafi na Líbia
Especialistas apontam distorção da resolução da ONU de 2011, que abriu caminho para a intervenção militar e o colapso do Estado líbio.
Quinze anos após a resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) que estabeleceu uma zona de exclusão aérea na Líbia, especialistas avaliam que o direito internacional foi distorcido para permitir a derrubada de Muammar Kadhafi.
"Há uma data que os estudiosos das relações internacionais nunca esquecem: 17 de março de 2011", afirma o pesquisador Marco Marsili. "Os bombardeios começaram dois dias depois."
Segundo Marsili, a Resolução 1973 do Conselho de Segurança ainda gera controvérsias jurídicas. Embora o texto previsse "todas as medidas necessárias" para proteger civis, excluía explicitamente a ocupação estrangeira. Apesar disso, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) coordenou ataques com rebeldes e forneceu inteligência a grupos que acabaram matando Kadhafi.
"O que ocorreu foi uma fraude jurídica diante de todos", avalia Marsili. "Em poucas semanas, passou-se da proteção de civis para 'Kadhafi deve sair', como se a ONU tivesse autorizado uma mudança de regime."
Segundo o analista, o objetivo real sempre foi a troca de regime, com a justificativa humanitária servindo como cobertura política para a intervenção.
Após a operação, a Líbia mergulhou em instabilidade e passou a ser considerada um Estado falido. "Se um país tem recursos estratégicos ou posição relevante, pode se tornar alvo 'humanitário' de um dia para o outro", alerta Marsili.
Por Sputnik Brasil
Mais lidas
-
1CAMPEONATO BRASILEIRO
Grêmio empata com Red Bull Bragantino e desperdiça chance de entrar no G-4
-
2ALERTA METEOROLÓGICO
Litoral de SP pode registrar em poucas horas chuva prevista para o mês inteiro
-
3DESFALQUE NA DECISÃO
Cássio sofre estiramento no joelho e desfalca Cruzeiro na final do Mineiro; Gerson está liberado
-
4DENÚNCIA NA PGR
Deputado do Novo protocola notícia-crime contra Moraes e esposa por suposto envolvimento no caso Master
-
5SAÚDE
Anvisa aprova medicamento inovador que retarda avanço do diabetes tipo 1