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'Amália', lançamento da Maralto Edições, celebra a sabedoria das plantas e o protagonismo feminino

Obra ilustrada exalta a memória e a relação entre natureza e ancestralidade

Assessoria 17/03/2026
'Amália', lançamento da Maralto Edições, celebra a sabedoria das plantas e o protagonismo feminino

A Maralto Edições lança, neste mês de março, Amália, uma obra da escritora e roteirista Roberta Malta que acompanha a trajetória de uma personagem cuja vida se entrelaça à sabedoria das plantas.

Com ilustrações de Johanna Thomé de Souza, o livro revela como folhas, raízes e sementes guardam memórias, gestos de cuidado e caminhos de cura.

A ideia da obra nasceu de um desejo antigo da autora. Roberta Malta conta que sua convivência com a avó, que mantinha um quintal cheio de plantas e era referência para ensinar seus nomes e usos, foi decisiva para a construção do livro. “No começo achei que seria um romance. Fiz a genealogia de uma personagem a partir de uma linhagem que conectava toda sua ancestralidade com as plantas e seus sentidos”, revela.

A mudança de formato surgiu durante uma releitura de Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez. Segundo a autora, foi a frase “O mundo era tão recente que muitas coisas careciam de nome, e para mencioná-las era preciso apontar com o dedo”, somada a um momento de imersão na linguagem elíptica e silenciosa dos livros ilustrados, que a levou a pensar em contar a história dessa forma, em que o único texto é o nome da planta.

Em Amália, cada planta ocupa um lugar simbólico na história: do alecrim que abre caminhos ao boldo que cura, da lavanda que acalma à arruda que protege. Ao longo das páginas, palavras e imagens celebram a delicadeza e a força de uma mulher que aprende com o ritmo da natureza sobre persistência, renovação e cuidado. Entre dor e alívio, corpo e terra, visível e sagrado, o livro cultiva um jardim que convida o leitor à transformação.

A dimensão espiritual também atravessa a narrativa. Para a autora, o sagrado e o cotidiano caminham juntos. “As plantas são assim: terrenas e etéreas ao mesmo tempo, inevitavelmente ligadas à cura e à espiritualidade em inúmeras tradições. Acredito que foram elas que trouxeram essa dimensão para o livro”, afirma.

Amália foi inspirada em uma mulher negra real, de quem a autora costumava comprar plantas no Largo do Machado, no bairro do Catete, no Rio de Janeiro. Ao trazer esse protagonismo, o livro também reforça a importância de ampliar a presença negra na literatura, nas artes e nos espaços públicos desde a infância.

As ilustrações de Johanna reforçam a atmosfera sensorial da narrativa. Os esboços iniciais foram feitos com pincel e nanquim, e cada página foi pintada à mão com guache. Já os elementos da capa, flores, folhas e estampas, foram criados separadamente e depois reunidos em uma colagem digital.

Mais do que contar uma história, Amália convida o leitor a uma experiência sensível de encontro com a natureza, a memória e o cuidado. “Se não for pedir muito, espero tudo o que a leitura pode proporcionar: encontro, introspecção, acolhimento, conversas, colo, elaborações, ideias, curiosidade e abertura”, finaliza Roberta Malta.

A obra está disponível nos canais de venda da editora e em livrarias parceiras. Ela também integra o Programa de Formação Leitora Maralto, iniciativa voltada para escolas de todo o país.