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Mídia: interferência externa e desinformação ampliam riscos para a eleição brasileira
Especialista alerta para desafios à democracia, como IA, plataformas digitais e desconfiança institucional nas eleições deste ano.
Apesar de mais preparado do que em 2022, o Brasil enfrentará riscos concretos de interferência externa e de desinformação amplificada por inteligência artificial, plataformas menos dispostas a moderado conteúdo e crescente desconfiança institucional, alerta especialista.
Marcela Rios, diretora da Ideia Internacional para a América Latina, afirmou à Folha de S.Paulo que a possibilidade de interferência estrangeira nas eleições brasileiras deste ano é real, especialmente após movimentos recentes dos Estados Unidos para influência pleitos na região.
Segundo o especialista, embora o Brasil seja menos vulnerável do que os países mais dependentes de Washington, os esforços de financiamento de campanhas e disseminação de desinformação não podem ser descartados.
Rios avalia que o país chega a 2026 mais preparado do que em 2022, sobretudo pelo papel ativo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na defesa da democracia. Ainda assim, ela alerta que o ambiente informativo se tornou mais complexo, com o avanço da inteligência artificial e a multiplicação de conteúdos enganosos.
Apesar da resiliência institucional brasileira, a diretora aponta que a desconfiança dos cidadãos em relação aos partidos, Justiça e órgãos eleitorais criam terreno fértil para a circulação de mentiras. Segundo ela, a demanda por desinformação cresce quando há polarização e descrédito nas instituições.
A mudança nas políticas das plataformas digitais, hoje menos dispostas a moderar conteúdo, é vista como um desafio adicional. Rios ressalta que o Brasil tem legislação avançada sobre IA e desinformação, mas a eficácia das normas dependerá da capacidade do Estado de aplicá-las.
Ela também destaca o impacto das investigações de corrupção envolvendo juízes, que podem estimular narrativas de setores que questionam a independência das instituições. Esse ambiente, segundo ela, tende a transformar órgãos eleitorais em alvos preferenciais de ataques políticos.
No cenário internacional, Rios observa que a América Latina está mais exposta a interferências externas devido às mudanças geopolíticas. Ela cita ações recentes dos EUA na Argentina e em Honduras, envolveu apoio a candidaturas, pressões comerciais e uso de avaliações.
Embora considere que o tamanho e a complexidade do Brasil reduzam o impacto potencial de interferências diretas, ela alerta para o risco de financiamento de desinformação por atores estrangeiros. Na região, afirmou à Folha, há forte atuação de organizações não governamentais e grupos religiosos transnacionais, especialmente ligados a setores conservadores.
Por fim, o especialista conclui que essas influências, embora nem sempre governamentais, moldam debates políticos e sociais em toda a América Latina. Ex-ministro dos Direitos Humanos do Chile, Rios reforça que fortalecer a confiança institucional é essencial para reduzir a vulnerabilidade do processo eleitoral brasileiro.
Por Sputinik Brasil
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