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PSOL pede inquérito sobre jogo no ITA inspirado no caso Epstein com menor sequestrada

Deputados acionam Ministério Público Federal para apurar responsabilidade do ITA em projeto acadêmico que simulava violência de gênero e pede adesão ao pacto nacional de combate à violência nas universidades.

16/03/2026
PSOL pede inquérito sobre jogo no ITA inspirado no caso Epstein com menor sequestrada
- Foto: Reprodução

O deputado estadual Guilherme Cortez (PSOL) e o mandato coletivo da Bancada Feminista (PSOL) protocolaram uma representação junto ao Ministério Público Federal, solicitando a instauração de inquérito no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) após a apresentação de um jogo de computador inspirado no caso Epstein.

O documento, obtido pelo Estadão, pede investigação sobre possíveis violações de direitos humanos, apuração da responsabilidade institucional, verificação de protocolos de prevenção e enfrentamento à violência de gênero, análise do projeto acadêmico e adoção das medidas cabíveis.

Os parlamentares também reivindicam que o ITA integre o Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência de Gênero no Ambiente Universitário, iniciativa voltada ao acolhimento e combate à violência de gênero em instituições de ensino superior.

A mobilização ocorreu após alunos do curso de Engenharia de Computação do ITA apresentarem, em sala de aula, no dia 11, um projeto de jogo de computador envolvendo o financista americano Jeffrey Epstein, acusado de comandar uma rede de exploração e tráfico sexual de menores.

O jogo simulava situações em que uma personagem feminina de 15 anos, sequestrada e mantida em uma ilha por seis homens, precisava fugir da perseguição.

“Nossas instituições públicas de ensino precisam desenvolver tecnologias para resolver os problemas da sociedade e não aprofundá-los”, afirmou Cortez ao Estadão.

Segundo o deputado, há uma exposição crescente de jovens, especialmente meninos, nas redes sociais a “ideias de reafirmação do ódio às mulheres”, o que se reflete no aumento dos casos de violência de gênero.

Cortez ressaltou ser defensor da liberdade de ensino, conforme a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), mas destacou que isso “não pode significar o direito de fazer apologia ao crime”.

O que diz o ITA?

O ITA informou anteriormente que o tema foi “imediatamente descartado após ser identificado como inapropriado” e que o caso “está sendo tratado de forma célere e responsável, dentro das normas vigentes”.

Segundo a instituição, ações de conscientização serão intensificadas junto à comunidade acadêmica, por meio do Grupo de Trabalho de Equidade de Gênero e outros órgãos administrativos e acadêmicos.

De acordo com a Força Aérea Brasileira (FAB), via Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), a atividade fazia parte de uma aula sobre concepção de jogos interativos, com o objetivo de desenvolver habilidades de programação e estruturação de código. Os estudantes foram convidados a apresentar propostas de temas iniciais, restritas ao âmbito acadêmico.

A Associação dos Engenheiros do ITA (AEITA), o Centro Acadêmico Santos Dumont (Casd) e a Associação Atlética Acadêmica do ITA divulgaram notas de repúdio ao episódio, afirmando que é inaceitável banalizar a violência sexual e que a atitude não representa os valores da instituição.

Alunas e ex-alunas relataram que situações semelhantes já teriam ocorrido anteriormente, sem mudanças efetivas, e expressaram preocupação com a própria segurança dentro do ITA.