Geral
Natura reverte prejuízo e registra lucro de R$ 186 milhões no 4º trimestre de 2025
Companhia supera resultado negativo de 2024, melhora rentabilidade e reduz dívida após venda da The Body Shop
A Natura registrou lucro líquido de R$ 186 milhões nas operações continuadas no quarto trimestre de 2025, revertendo o prejuízo de R$ 227 milhões apurado no mesmo período do ano anterior.
Segundo a empresa, o resultado foi impactado por uma provisão não recorrente de R$ 434 milhões relacionada a recebíveis da venda da The Body Shop, sem efeito no caixa. Desconsiderando esse impacto, o lucro líquido das operações continuadas teria sido de R$ 620 milhões, um avanço de R$ 321 milhões na comparação anual.
"Esse avanço foi parcialmente compensado por menores ganhos contábeis com derivativos cambiais e pela redução do saldo de caixa ao longo de 2025", informou a Natura no balanço divulgado.
Receita e rentabilidade
A receita líquida totalizou R$ 6,1 bilhões no quarto trimestre, queda de 12,1% em relação ao ano anterior. O desempenho foi impactado principalmente pela desaceleração das vendas no Brasil e por instabilidades operacionais na Argentina, ligadas à integração entre Natura e Avon. A valorização do real frente a moedas de mercados hispânicos e o efeito da hiperinflação argentina também pressionaram o resultado.
Apesar da retração nas vendas, a rentabilidade apresentou melhora significativa. O Ebitda ajustado atingiu R$ 978 milhões no período, alta de 57,2% em relação a um ano antes, com margem de 15,8%. O avanço foi impulsionado por ganhos de eficiência em despesas comerciais e administrativas, além de cortes de custos e ajustes na remuneração variável.
No acumulado de 2025, a Natura também voltou ao lucro. A companhia registrou lucro líquido de R$ 463 milhões nas operações continuadas, revertendo prejuízo de R$ 644 milhões em 2024. A receita líquida anual somou R$ 22,2 bilhões, queda de 5% em relação ao ano anterior.
Mesmo com a retração das vendas, o Ebitda ajustado cresceu 9,5% em 2025, alcançando R$ 3,1 bilhões. A empresa destacou que a evolução da rentabilidade foi resultado da conclusão do processo de simplificação do grupo e da integração das operações da Natura e da Avon na América Latina, iniciativas que contribuíram para redução de custos e ganhos de eficiência operacional.
Dívida
A dívida líquida da Natura encerrou o quarto trimestre de 2025 em R$ 3,5 bilhões, com redução de R$ 567 milhões em relação ao terceiro trimestre, impulsionada principalmente pela geração de caixa sazonal do período.
O indicador de alavancagem (dívida líquida/Ebitda) ficou em 1,57 vez, mostrando melhora na comparação trimestral. "A queda da alavancagem refletiu tanto a redução da dívida líquida quanto o aumento do Ebitda acumulado nos últimos 12 meses", destacou a empresa.
Desconsiderando a provisão contábil de R$ 434 milhões referente à venda da The Body Shop, a relação dívida líquida/Ebitda seria de 1,31 vez, patamar considerado pela companhia dentro da "faixa ideal" de sua estrutura de capital.
O resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 128 milhões no quarto trimestre, ante resultado positivo de R$ 28 milhões um ano antes. Segundo a Natura, a piora reflete o aumento das despesas financeiras, em meio à alta do CDI, além de menores receitas financeiras e redução dos ganhos com derivativos cambiais.
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