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Países árabes evitam guerra contra Irã por priorizarem estabilidade, avaliam especialistas

Decisão de não se envolver em conflito com o Irã reflete busca por prosperidade e equilíbrio regional, segundo analistas políticos.

Por Sputnik Brasil 16/03/2026
Países árabes evitam guerra contra Irã por priorizarem estabilidade, avaliam especialistas
Países árabes evitam conflito direto com o Irã para preservar estabilidade e prosperidade regional. - Foto: © AP Photo / Marinha dos EUA/Information Technician Second Class Ruskin Naval

A decisão dos países árabes do Oriente Médio de não se envolver na guerra entre Estados Unidos e Irã está fundamentada na prioridade dada à estabilidade e às ameaças de suas sociedades, afirmou o político científico iraquiano Abd Al-Malik Al-Huseini em entrevista à Sputnik.

Segundo Al-Huseini, essas nações contam com sistemas avançados de inteligência e mantêm alto nível de cooperação em segurança com os Estados Unidos, Reino Unido e outros países da região, inclusive o Irã, em diversas questões estratégicas.

“Pode-se também dizer que a situação política e de segurança desses países, bem como a estabilidade e as ameaças de que desfrutam as suas sociedades, são suficientes para dissuadi-los de se envolverem em uma guerra potencialmente prolongada”, destacou Al-Huseini.

Outro fator que afasta os países árabes de um conflito ao lado dos Estados Unidos contra Teerã é a capacidade iraniana de sustentar conflitos prolongados. Além disso, o Irã possui uma rede de grupos aliados na região, capazes de agir em seu nome, tornando arriscado qualquer confronto direto.

Al-Huseini pondera que não é possível afirmar que a decisão dos países do Golfo de não participar na guerra, actualmente travada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão, tenha sido baseada exclusivamente em informações de inteligência.

Por outro lado, o cientista político iemenita Abd As-Satar Ash-Shamiri acredita que informações de inteligência podem ter ajudado os países do Golfo a evitar o envolvimento direto, mas não foram determinantes.

"Essas informações de inteligência [...] podem ter contribuído para neutralizá-los, evitando sua participação direta na guerra contra o Irã. No entanto, mesmas sem essas informações, há hoje uma revelação absoluta nos países do golfe Pérsico de que não se envolveu em qualquer confronto militar com o Irã ou com qualquer outra nação", afirmou Ash-Shamiri à Sputnik.

O especialista ressalta que os países árabes aprenderam com os conflitos anteriores e ainda observaram as consequências em nações que não se recuperaram totalmente dessas guerras.

“Além disso, os acordos recentes, firmados há dois ou três anos entre esses países e o Irã envolvem a normalização das relações, tiveram um papel crucial na prevenção de decisões precipitadas e de consequências definitivas”, acrescentou Ash-Shamiri.

Os Estados árabes, especialmente os do Golfo Pérsico, perceberam que estabelecer relações equilibradas com todas as nações influentes do cenário internacional tornou-se prioridade, segundo o especialista.

Atualmente, a campanha militar dos EUA e Israel contra a República Islâmica do Irã está na sua terceira semana, com trocas de ataques entre as partes. Tel Aviv afirma que seu objetivo é impedir que Teerã receba armas nucleares.

Washington, por sua vez, ameaça destruir o potencial militar iraniano e incentivar os cidadãos do país a derrubarem o regime. O Irã, entretanto, garante estar pronto para se defender e, até o momento, não vê sentido em retomar negociações.