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Manifestação na Paulista reúne grupo contra EUA e pró-Irã (VÍDEOS)
Neste domingo (15), a Avenida Paulista, em São Paulo (SP), teve protesto organizado por movimentos sociais em repúdio às operações militares conduzidas pelos Estados Unidos e por Israel no Oriente Médio.
Concentrados em frente à sede da CNN Brasil, próximo à estação Consolação do metrô, manifestantes defenderam a soberania do Irã, do Líbano e da Palestina e direcionaram críticas à política externa norte-americana na região, bem como ao que classificam como cumplicidade da grande mídia na normalização dos conflitos.
O ato integra uma série de mobilizações que vêm ocorrendo na capital paulista e em todo o mundo.
A professora Lorena Fernandes, da Frente Palestina São Paulo e da Corrente Socialista de Trabalhadores e Trabalhadoras, esteve entre os organizadores do ato e explicou os motivos que a trouxeram às ruas. "Essa manifestação é expressão da nossa indignação diante dos ataques muito brutais perpetrados pelos Estados Unidos de Donald Trump e também por Israel no Irã."
Lorena citou especificamente o bombardeio a uma escola no país, onde a maioria das vítimas — próximas a duzentas mortes — seria de meninas entre sete e doze anos. "A gente percebe que essa agressão não tem absolutamente nada a ver com defesa de democracia no Irã ou defesa de direitos humanos."
Na avaliação de Lorena, a motivação central das ações norte-americanas e israelenses é o controle econômico da região. "É a tentativa do imperialismo dos Estados Unidos, junto com os sionistas, de controlar o Oriente Médio", afirmou, traçando um paralelo com o que chama de pressão sistemática sobre a Venezuela.
Para ela, ambos os casos fazem parte de uma mesma lógica de dominação sobre países com recursos estratégicos. "Isso explica também os ataques à Venezuela. A gente está vivenciando uma ofensiva do imperialismo para controlar, para ser dono das riquezas do mundo", disse a professora.
Sobre a situação em Gaza, ela afirma que o acordo da administração do presidente Donald Trump "é uma falácia", "porque todos os dias Israel está matando e martirizando palestinos, entre eles crianças".
Ela defendeu que a mobilização nas ruas deve continuar até o que chama de libertação dos povos palestino, libanês e iraniano, e criticou ainda a cobertura jornalística dos grandes veículos de comunicação sobre os conflitos, acusando a mídia de normalizar e justificar o que classifica como crimes de guerra.
Durante a manifestação, houve confronto verbal entre participantes e grupos contrários presentes nas imediações, com intervenção da Polícia Militar para conter os ânimos. "Estiveram aqui provocadores, defensores do regime monárquico iraniano, que era um regime completamente subordinado aos Estados Unidos e que gerou um grande estado de miséria para os iranianos", disse.
"Estiveram presentes também defensores de Israel, que é um Estado genocida que existe com base no genocídio de um povo. É um Estado artificial, colonialista", acrescentou.
Entre os grupos contrários à pauta majoritária do ato estava Ario Nasire, iraniano que vive no Brasil há 12 anos como refugiado político. Ele conta que fugiu pela primeira vez em 2008, após atuar contra o governo durante as eleições, e novamente em 2012. Neste domingo, ele foi à Paulista com uma pauta distinta.
Nasire defende o príncipe Reza Pahlavi como figura de liderança na transição política do Irã, mas ressalta que isso não representa um retorno à monarquia. "Hoje à mesa com ele estão republicanos, socialistas, esquerdistas e direitistas. Todo mundo está atrás dele porque é o único em quem a gente pode confiar hoje", opinou.
Ele elenca quatro pontos defendidos por grupos oposicionistas: direitos humanos, secularismo, unidade nacional e eleições livres. Sobre o eventual apoio de Washington ao movimento, Nasire disse: "O Trump e os Estados Unidos têm interesse? Sim. Mas inimigo do meu inimigo é meu amigo."
O iraniano também afirmou que cabe exclusivamente ao povo de seu país escolher seu próximo governo por meio de eleições livres.
Controle sobre o petróleo
O Irã detém uma das quatro maiores reservas de petróleo do mundo e as segunda maior reserva de gás natural, segundo a Agência Internacional de Energia.
Desde a Revolução Islâmica de 1979, os Estados Unidos mantêm sanções ao país que bloqueiam o acesso iraniano ao mercado internacional de energia — sanções que foram progressivamente endurecidas nas administrações do presidente Donald Trump, tanto na primeira quanto na segunda gestão.
Analistas de política externa, entre eles pesquisadores do Council on Foreign Relations e do Middle East Institute, apontam que o controle sobre rotas energéticas do Oriente Médio tem sido um elemento central da estratégia geopolítica norte-americana na região nas últimas décadas.
No caso iraniano, documentos desclassificados já confirmaram que os EUA orquestraram o golpe de 1953 que derrubou o primeiro-ministro Mohammad Mosaddegh, justamente após sua tentativa de nacionalizar o petróleo iraniano.
Em 28 de fevereiro de 2026, Washington e Tel Aviv lançaram um ataque conjunto coordenado contra múltiplos alvos no território persa, numa operação que teve como objetivo declarado a mudança de regime em Teerã.
A ofensiva, batizada de Operação Fúria Épica pelos norte-americanos e Operação Leão Rugidor pelos israelenses, atingiu cidades e a capital, além de Isfahan e Quermanxá, e incluiu o assassinato do líder supremo Ali Khamenei.
As Nações Unidas e diversos países condenaram a ofensiva inicial por minar a estabilidade regional.
Por Sputinik Brasil
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