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Cuba completa 3 meses sem receber combustível por bloqueio dos EUA

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13/03/2026
Cuba completa 3 meses sem receber combustível por bloqueio dos EUA

Cuba completou três meses sem receber qualquer carga de combustível em meio ao bloqueio energético que os Estados Unidos (EUA) impuseram à ilha, prometendo sancionar qualquer país que venda petróleo para o país caribenho.

O presidente cubano Miguel-Díaz Canel comentou, nesta sexta-feira (13), em coletiva de imprensa realizada em Havana, que o bloqueio dos EUA deixou alguns municípios com até 30 horas sem energia.

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“Já se passou mais de três meses desde que um navio-tanque entrou em nosso país e estamos trabalhando em condições muito adversas que têm um impacto imensurável na vida de toda a nossa população”, afirmou

Com cerca de 80% da energia do país gerada por termelétricas, alimentada por combustíveis, a nova medida do governo Trump impediu a possibilidade de compra de petróleo no mercado global, o que foi agravado ainda pelo bloqueio naval dos EUA à Venezuela a partir do final de 2025 .

O presidente cubano informou que Havana iniciou, recentemente, conversas com representantes do governo dos EUA, “em correspondência com a política consistente que há defendido a Revolução Cubana”, e que estão em uma negociação em fase inicial .

"As conversas são para buscar, por meio do diálogo, uma solução possível para as diferenças bilaterais existentes entre nossas duas nações. Essas trocas têm sido facilitadas por atores internacionais", confirmou Miguel-Díaz Canel.

O chefe do Estado cubano acrescentou que foi informado aos EUA a vontade de Havana de continuar o diálogo, sob o princípio de igualdade e respeito aos sistemas políticos de ambos os países, à soberania e à autodeterminação. 

O presidente dos EUA, Donald Trump, tem ameaçado o governo cubano ao dizer que o país deverá sofrer uma “mudança em breve”, indicando que uma mudança viria após a guerra no Irã.  

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Medidas

O presidente Miguel-Díaz Canel destacou na coletiva as medidas que o governo tem adotado para amenizar os efeitos da crise energética, como o aumento da produção de petróleo interno, o aumento das usinas solares e o uso de carros elétricos.

"Durante o dia, geramos eletricidade utilizando petróleo bruto nacional e nossas usinas termoelétricas. Além disso, a contribuição de fontes de energia renováveis ​​é especial e, como já mencionamos, varia entre 49% e 51% [do total de energia do país durante o dia]", afirmou.

Canel acrescentou que as medidas amenizaram um pouco a frequência dos apagões. Porém, constate que Cuba ainda precisa do petróleo importado para prestar os serviços de saúde, educação, transporte e para alimentação dos sistemas de distribuição de energia.

"Neste momento, bolsas de milhares de pessoas no país aguardam cirurgias que não podem ser realizadas devido à falta de energia elétrica. Entre as coleções de milhares, um número significativo são crianças que aguardam cirurgia", lamentou.

Entenda crise energética 

Os cubanos que vivem em Havana relatam que o país vive o “pior momento” com as dificuldades enfrentadas pela população após o enfrentamento do bloqueio energético imposto pelos EUA a partir do final de janeiro deste ano. 

O aumento dos pagamentos, o aumento dos preços de produtos básicos, a redução do transporte público e a redução da oferta da cesta básica alimentar subsidiada pelo Estado são alguns dos problemas que pioraram nas últimas semanas.

A crise energética de Cuba é ainda mais grave nas províncias do interior da ilha de quase 11 milhões de habitantes, onde os apagões podem durar quase o dia todo.

No último dia 29 de janeiro, o presidente norte-americano Donald Trump editou nova Executiva classificando Cuba como uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança de Washington , citando, como justificativa, o alinhamento de Havana com Rússia, China e Irã.

A decisão prevê a imposição de tarifas comerciais a produtos de qualquer país que proporcionem ou venda petróleo a Cuba. 

O aperto do cerco econômico ao país é mais uma tentativa dos EUA de romper o governo liderado pelo Partido Comunista, que desafia a hegemonia política de Washington na América Latina há mais de seis décadas. O embargo dos EUA contra Cuba já dura 66 anos, com as primeiras medidas adotadas logo após a Revolução Cubana, de 1959.