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Fazenda eleva estimativa para cotação do petróleo e ajusta projeção do IPCA para 3,7%

Ministério da Fazenda revisa parâmetros para 2026, com impacto do petróleo e câmbio nas projeções de inflação e crescimento.

13/03/2026
Fazenda eleva estimativa para cotação do petróleo e ajusta projeção do IPCA para 3,7%
Ipca

A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda atualizou nesta sexta-feira, 13, a grade de parâmetros para 2026 e apresentou estimativas preliminares dos impactos do conflito no Oriente Médio sobre a economia brasileira. As projeções sofreram poucas alterações em relação a fevereiro, sendo o principal destaque o aumento nas cotações do petróleo.

Petróleo e câmbio

A estimativa da cotação média do petróleo para 2026 subiu de US$ 65,97 para US$ 73,09 por barril, um avanço de aproximadamente 10,8%. Já a projeção para o câmbio médio recuou de R$/US$ 5,43 para R$/US$ 5,32, uma variação de cerca de 2,1%, já considerando o comportamento observado em janeiro e fevereiro.

Inflação

Essas mudanças influenciaram as previsões de inflação para 2026. Segundo a SPE, uma alta de 1% no preço do petróleo representa impacto de 0,02 ponto porcentual no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerando o repasse parcial dos preços de gasolina e diesel das refinarias até o consumidor final. Por outro lado, uma valorização de 1% do real ante o dólar reduz em 0,06 ponto porcentual a inflação projetada.

Com isso, a previsão para a inflação medida pelo IPCA em 2026 subiu de 3,6% para 3,7%, já incorporando o resultado do IPCA-15 de fevereiro, que veio ligeiramente acima do esperado.

Para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), a projeção subiu de 3,7% para 3,8%, refletindo o menor peso da gasolina nesse indicador. Já o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) teve projeção elevada de 4,6% para 4,9%, devido à maior sensibilidade do índice às cotações do petróleo, que afetam itens de atacado como produtos da indústria extrativa, derivados de petróleo e químicos, incluindo fertilizantes.

Segundo a SPE, parte da alta do IGP-DI foi compensada pela valorização do real e pela variação abaixo do esperado do índice em janeiro.

PIB

A projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 foi mantida em 2,3%. O aumento de 10,8% na cotação média do petróleo contribuiu para um acréscimo de 0,1 ponto porcentual na estimativa de crescimento. No entanto, esse impacto positivo foi parcialmente neutralizado por revisões para baixo após a divulgação do PIB do quarto trimestre de 2025, especialmente devido ao desempenho da indústria, que cresceu 1,4% no ano, abaixo da expectativa da SPE de 1,7%.

Assim, mesmo com o efeito positivo do petróleo, o crescimento projetado para 2026 foi ajustado apenas marginalmente, refletindo o cenário econômico recente.