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USP lança curso de Engenharia com foco em chips e inteligência artificial

Nova graduação da Poli prioriza formação inovadora em semicondutores, IA e sistemas computacionais; inscrições já no próximo vestibular

12/03/2026
USP lança curso de Engenharia com foco em chips e inteligência artificial
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Universidade de São Paulo (USP) anunciou a criação de uma nova graduação na Escola Politécnica, que será ofertada já no vestibular deste ano. O curso de Engenharia Eletrônica e Sistemas Computacionais terá inicialmente 56 vagas anuais e é voltado para a formação em semicondutores e inteligência artificial.

"Mantemos a base sólida de Matemática e Física da Poli, mas com um foco claro: não queremos formar apenas utilizadores de tecnologia, queremos formar quem vai criar e inovar com ela", destaca o professor Gustavo Rehder, coordenador do novo curso.

A graduação será oferecida a partir do próximo ano no campus do Butantã, na zona oeste de São Paulo. O curso é um desdobramento da Engenharia Elétrica, que agora ganha autonomia para atender às novas demandas do mercado.

"O perfil do engenheiro mudou radicalmente nas últimas décadas", afirma Rehder. "Antes, a Engenharia Elétrica abrangia desde geração de energia até computação. Com o avanço da Inteligência Artificial, dos carros autônomos e da indústria de semicondutores, cada área tornou-se um universo próprio."

Segundo o coordenador, o mercado busca profissionais mais especializados, capazes de inovar e solucionar desafios complexos. "Nosso objetivo é preparar os alunos para tecnologias de fronteira, como sistemas inteligentes com IA embarcada, projetos de chips semicondutores para IA e para o futuro 6G, entre outros", explica. "Se não formarmos engenheiros com essa visão estratégica e inovadora, eles podem perder espaço para a própria automação da IA."

A criação do curso foi aprovada pelo Conselho Universitário em dezembro do ano passado. A estrutura curricular integra teoria e prática desde o primeiro ano.

Além de uma formação sólida em Matemática, Física e Computação, a graduação aposta nos chamados Projetos Integrativos Extensionistas, que desafiam os alunos a criar soluções para problemas reais da sociedade, como sistemas de alerta para desastres naturais e estratégias para cidades inteligentes.

Nos dois anos finais, os estudantes poderão personalizar a formação com ênfase em áreas estratégicas, como Inteligência Artificial, Semicondutores e Chips, Sistemas Embarcados, Comunicações e Processamento de Sinais.

Para o corpo docente, a mudança representa uma atualização necessária no ensino de engenharia, priorizando a motivação dos alunos e a aplicação prática do conhecimento.

Um exemplo de projeto alinhado ao novo curso é o monitoramento do Riacho Doce, na comunidade de São Remo, no Butantã. O objetivo é implementar uma rede de sensores para prevenir enchentes, cruzando dados meteorológicos com informações locais e reduzindo os riscos para a população.

Foco em Inteligência Artificial

A oferta de cursos de graduação com foco em IA no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) deste ano saltou de quatro para 27. A maioria foi aprovada entre novembro e dezembro de 2023, como o novo curso da USP e também a graduação da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, no Rio de Janeiro, de Inteligência Artificial e Ciência de Dados, cujas aulas já começam este ano.

Recentemente, a Câmara de Ensino, Pesquisa e Extensão da Unicamp aprovou o curso superior "Inteligência Artificial (IA) e Ciência de Dados", que será ofertado a partir do próximo ano no campus de Limeira. Serão 40 vagas e duração mínima de oito semestres, com carga horária de 3.240 horas.