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Uma em cada quatro pessoas vive em áreas de risco em Juiz de Fora

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27/02/2026
Uma em cada quatro pessoas vive em áreas de risco em Juiz de Fora

A prefeita de Juiz de Fora (MG), Margarida Salomão, afirmou, nesta sexta-feira (27), que uma em cada quatro pessoas da cidade mora em área de risco e que é preciso fazer intervenções por toda a cidade para evitar novas tragédias.

Deslizamentos e enchentes, causados ​​pelas fortes chuvas que atingiram a Zona da Mata mineira desde segunda-feira (23),  deixaram 64 mortos : 58 em Juiz de Fora e seis no município de Ubá.

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“Essa triste tragédia é, de certo modo, um chamado da natureza para que todos nós prestemos atenção. A cidade é – como Petrópolis [RJ], Angra [dos Reis -RJ], e tantas cidades aqui dessa região – construída na serra. As pessoas vão ocupando as encostas e não são só as pessoas pobres, mesmo a população mais afortunada, classe média alta, vive em lugares que são de risco.”

Em entrevista ao programa Alô Alô Brasil , da Rádio Nacional , Margarida contou que, nesta quinta-feira (27), por exemplo, houve desmoronamento de uma casa considerada mansão, porém, construída numa encosta. Uma pessoa morreu. Segundo a prefeita, há muita dificuldade para as pessoas deixarem essas localidades.

“Convencer as pessoas a largarem as suas casas é quase que pedir a elas que se arranquem dos seus próprios corpos. Muitas vezes, essa casa é conquista de uma vida inteira. É um esforço, de fato, monstruoso esse que nós estamos fazendo; tem que ter muita paciência, muita capacidade de acolhimento, de escuta para conseguir que as pessoas saiam.”

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Visita de Lula

Neste sábado (28), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita e sobrevoa a região afetada. Está prevista reunião com lideranças locais na prefeitura de Juiz de Fora.

“[Ele] vai estar aqui amanhã para oferecer conforto à população de Juiz de Fora, de Ubá e de Matias Barbosa, que são as áreas mais atingidas, e trazer recursos para que as pessoas possam reconstruir a cidade”, disse durante uma entrevista.

A Defesa Civil Nacional já informou o estado de calamidade pública em três municípios e o governo federal liberou mais de R$ 3 milhões para atendimento e assistência das cidades. A partir desta sexta-feira, os moradores também poderão solicitar o saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O valor a ser retirado é limitado a R$ 6.220.

Segundo a prefeita, mais de 500 pessoas estão nos abrigos do município e cerca de 5 mil estão desalojadas, muitas em casa de pais. Aqueles que não puderem retornar para suas casas entrarão no programa de moradia da prefeitura, inicialmente com aluguel social até uma solução definitiva.

“Nesse momento, o esforço é de peças, de atendimento à emergência, mas ao mesmo tempo estamos nos preparando para fazer as intervenções que a cidade exige de nós, para que ela seja defendida como um espaço de convivência e de segurança.”

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém o alerta de perigo para chuvas intensas até às 23h59 desta sexta-feira na Zona da Mata, com chuva entre 30 e 60 milímetros por hora ou 50 e 100 mm/dia ​​e ventos intensos (60-100 km/h). Permaneça o risco de corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e descargas elétricas.

Veja mais detalhes no programa Alô Alô Brasil , da Rádio Nacional: