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Oito anos da Operação Acolhida em oito perguntas, fatos e curiosidades

Referência internacional em coordenação humanitária, a Operação Acolhida completa oito anos de proteção e apoio à inclusão de pessoas refugiadas e migrantes da Venezuela com mais de 157 mil interiorizações para milhares de municípios brasileiros

ACNUR - Agência da ONU para Refugiados 27/02/2026
Oito anos da Operação Acolhida em oito perguntas, fatos e curiosidades
A Operação Acolhida realiza a interiorização voluntária de pessoas venezuelanas para outras cidades brasileiras. Desde o início da implementação da estratégia, mais de 157 mil pessoas já foram interiorizadas a partir de Roraima. - Foto: ACRNUR/Alana Oliveira

Em 2018, o Brasil estruturou uma resposta inovadora para acolher pessoas refugiadas e migrantes venezuelanas que cruzavam sua fronteira norte em busca de proteção, dignidade e oportunidades de recomeçar suas vidas. Desde então, a Operação Acolhida tornou-se referência internacional em coordenação humanitária, reunindo o Governo Federal, organismos internacionais como a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), organizações da sociedade civil, setor privado e autoridades locais em um esforço conjunto para salvar vidas e promover integração.

1. Quando começou a Operação Acolhida e por qual razão?

A Operação Acolhida foi oficialmente estabelecida pelo governo federal no dia 28 de fevereiro de 2018 como resposta ao aumento expressivo do deslocamento de pessoas vindas da Venezuela, motivado por uma série de instabilidades políticas, econômicas, sociais e humanitárias naquele país. O Brasil passou a acolher esta população por meio de sua política inclusiva e protetiva sobre o tema, exigindo uma resposta estruturada para garantir acolhimento digno, regularização documental e acesso a direitos básicos. Desde sua criação, a Operação Acolhida se organiza em três pilares principais: ordenamento da fronteira, acolhimento em abrigos temporários e interiorização voluntária para outras regiões do país, promovendo autonomia e integração socioeconômica.

2. Quando o ACNUR passou a atuar com a Operação Acolhida e de que forma?

O ACNUR já estava presente em Roraima, com escritório em Boa Vista, antes mesmo da criação da Operação Acolhida, apoiando o Estado brasileiro no fortalecimento dos mecanismos de proteção, acolhida e integração das pessoas venezuelanas. Com o início da operação, a agência ampliou sua atuação significativamente, abrindo um escritório em Pacaraima e trazendo expertise técnica global, mobilizando recursos de doadores internacionais para apoiar a implementação de serviços essenciais, incluindo:

  • Proteção e registro de solicitantes de refúgio;
  • Gestão e apoio aos abrigos;
  • Fortalecimento da estratégia de interiorização;
  • Identificação e assistência a pessoas com necessidades específicas;
  • Promoção da integração socioeconômica.

3. Como a resposta ao fluxo de venezuelanos foi ampliada e aperfeiçoada ao longo dos anos?

Nestes oito anos, a Operação Acolhida evoluiu em escala e aperfeiçoamento de seus serviços. O que começou como uma resposta emergencial tornou-se uma política estruturada de proteção e integração. A Estratégia de Interiorização, iniciada em abril de 2018, permite a realocação voluntária e segura de pessoas refugiadas e migrantes para cidades com maior capacidade de absorção socioeconômica. Até janeiro de 2026, mais de 157 mil pessoas haviam sido interiorizadas em mais de 1,1 mil municípios brasileiros, reduzindo a pressão sobre as cidades fronteiriças e ampliando as oportunidades de integração. Pesquisas conduzidas pelo ACNUR indicam o impacto positivo dessa estratégia: 77% das famílias interiorizadas conseguiram emprego poucas semanas após a chegada às cidades de destino, fortalecendo a autonomia e capacidade de reconstruir suas vidas. 

4. Qual é o perfil da população venezuelana acolhida?

Os abrigos da Operação Acolhida recebem uma população diversa, composta por famílias com crianças e adolescentes, mulheres (muitas delas mães solo), indígenas de diferentes etnias, pessoas idosas; pessoas com deficiência; indivíduos com formação técnica e universitária; trabalhadores com experiência em diversos setores e áreas de atuação. Essa diversidade reflete o caráter familiar e parental do deslocamento venezuelano, bem como o potencial significativo de contribuição dessas pessoas à sociedade brasileira.

Para conhecer o perfil da população abrigada nos seis espaços da Operação Acolhida, acesse o painel interativo do Perfil dos abrigos em Roraima.

5. Qual o total de pessoas venezuelanas beneficiadas ao longo dos anos?

Centenas de milhares de pessoas já foram beneficiadas nestes oito anos. A Estratégia de Interiorização, por exemplo, registrou uma expressiva mobilidade baseada nos interesses da população venezuelana. Enquanto adultos e idosos representam 61% do total de pessoas interiorizadas, jovens e crianças somam 39% do total. Em atenção aos grupos familiares, 87% do total de pessoas venezuelanas foi realocadas em grupos familiares e apenas 13% sozinhas. Só janeiro de 2026, mais de mil pessoas venezuelanas foram interiorizadas, demostrando que a interiorização segue sendo uma estratégia relevante para a integração destas famílias, possibilitando que novas oportunidades de trabalho sejam alcançadas.

Mais detalhes sobre os dados e perfil das pessoas venezuelanas interiorizadas por ser conferidos no Painel da Interiorização.

6. Quais são as modalidades da interiorização?

A Estratégia de Interiorização oferece diferentes modalidades, adaptadas às necessidades e perfis das pessoas refugiadas e migrantes, dividindo-se em quatro grupos:

  • Institucional: quando a acolhida na cidade de destino é feita por um abrigo, que em muitos casos conta com o financiamento do ACNUR e de seus parceiros. Representa 11% do total de pessoas interiorizadas e tende a ter um recorte centrado em pessoas em situação de maior vulnerabilidade social, como famílias com crianças pequenas, mães solo e pessoas com deficiência.
  • Vaga de emprego sinalizada: com 19% do total de pessoas interiorizadas, refere-se à interiorização vinculada a oportunidades de emprego, sendo uma das principais portas de acesso da população venezuelana ao mercado de trabalho formal brasileiro. 
  • Reunificação familiar: possibilita que membros de uma determinada família possam se deslocar para o destino onde já há parentes à sua espera, propiciando que a família esteja junta novamente – em alguns casos, depois de anos. Esta modalidade representa 18% do total de pessoas interiorizadas.
  • Reunião social: se refere ao maior contingente de pessoas interiorizadas, representando cerca de 47% do total. Nesta modalidade, pessoas conhecidas têm a oportunidade de novamente estarem próximas, reforçando seus vínculos sociais.

7. Quais foram os municípios e estados que mais acolheram pessoas venezuelanas por meio da interiorização?

De 2018 até janeiro de 2026, já se somam 1.121 municípios em todas as regiões do Brasil que receberam pessoas venezuelanas interiorizadas. Os estados da região sul são os que mais receberam venezuelanos realocados de forma voluntária, liderados por Santa Catarina (mais de 34 mil pessoas), Paraná (mais de 30 mil) e Rio Grande do Sul (com aproximadamente 24 mil). Juntos, representam 56% do total de pessoas interiorizadas. Já entre as cidades que mais receberam pessoas refugiadas, estão Curitiba/PR (com mais de 9 mil pessoas), seguida por São Paulo/SP (mais de 6,3 mil), Chapecó/SC (6,2 mil), Manaus/AM (mais de 5,5 mil), e Dourados/MS (mais de 4,6 mil).

Dentre os principais fatores motivadores da interiorização, sem dúvida a perspectiva de empregabilidade é o motor deste movimento, reforçando a premissa do quanto as pessoas refugiadas e migrantes da Venezuela têm a contribuir para o desenvolvimento local por meio da força de trabalho. Diversas empresas brasileiras aderiram à contratação de profissionais venezuelanos, sendo o Fórum Empresas com Refugiados um importante meio pelo qual as empresas podem acessar para buscar mais informações sobre o processo de contratação destes profissionais. 

8. Quando foi feita a primeira interiorização de pessoas idosas e para qual destino?

Com articulação realizada pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), a primeira interiorização específica de pessoas idosas venezuelanas ocorreu em novembro de 2020, quando um grupo de 18 refugiados e migrantes com mais de 60 anos deixou Boa Vista para ir para Nova Iguaçu/RJ, onde passaram a viver em um abrigo municipal preparado especialmente para atender suas necessidades específicas. A iniciativa teve apoio do ACNUR e parceiros locais, garantindo acompanhamento social e acesso à saúde, além de oferecer uma alternativa para idosos que, até então, enfrentavam maiores barreiras para se integrar localmente. Essa ação pioneira marcou um avanço na resposta humanitária ao reconhecer as necessidades específicas da população idosa e ampliar as soluções de proteção e integração no Brasil. Como resposta assertiva às demandas existentes, novamente a Prefeitura de Nova Iguaçu/RJ, articulada com o MDS, realizou outra etapa de interiorização de idosos em 2025 e uma terceira etapa de interiorização de idosos em janeiro de 2026. 

Saiba mais em: acnur.org/br/noticias/notas-informativas/oito-anos-da-operacao-acolhida-no-brasil