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Canetas emagrecedoras falsificadas: o risco invisível do mercado clandestino

Alta demanda e mercado paralelo aumentam riscos para quem usa medicamentos injetáveis sem procedência segura

Fátima de Paula – Comunique Assessoria & Marketing Médico 26/02/2026
Canetas emagrecedoras falsificadas: o risco invisível do mercado clandestino
Djairo Araújo

A desativação de uma fábrica clandestina em Maceió que produzia versões falsificadas de Mounjaro (tirzepatida) acendeu um alerta sobre os perigos sanitários ligados ao mercado paralelo de medicamentos emagrecedores. Segundo a polícia, além da produção irregular das canetas, o local também tinha estrutura para fabricar cocaína, anabolizantes e outras substâncias ilícitas, com apreensão de insumos químicos, embalagens falsificadas e até munições.

O crescimento da demanda por medicamentos como Mounjaro, aprovado pela Anvisa para obesidade e diabetes tipo 2, aliado ao alto custo e à dificuldade de acesso, criou espaço para esse comércio clandestino. Para o médico Djairo Araújo, o problema é grave:

“Estamos falando de medicamentos injetáveis, de uso subcutâneo, que exigem controle rigoroso de fabricação, armazenamento e transporte. Uma versão falsificada pode conter substâncias desconhecidas.”

Diferentemente de comprimidos irregulares, uma caneta adulterada pode provocar infecções graves, reações inflamatórias, contaminação bacteriana, dosagem incorreta ou até ausência do princípio ativo, podendo incluir compostos tóxicos. Araújo explica:

“O paciente acredita que está utilizando tirzepatida, mas pode estar injetando qualquer outra coisa. O risco não é apenas de ineficácia — é de complicação aguda.”

A popularização das canetas nas redes sociais contribui para a banalização do uso, levando muitas pessoas a comprá-las fora de farmácias autorizadas, sem prescrição médica. Segundo Araújo:

“São fármacos de prescrição médica, com cadeia de rastreabilidade controlada. Comprar fora do circuito oficial é assumir um risco imprevisível. O uso deve ser individualizado, com avaliação clínica, exames laboratoriais e acompanhamento periódico. O atalho pode custar caro.”

A operação em Maceió reforça que a alta demanda por medicamentos emagrecedores já alimenta um mercado paralelo perigoso. Para o especialista, quando se trata de injetáveis, a procedência é sinônimo de proteção, e a promessa de emagrecimento rápido nunca pode se sobrepor à segurança.