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58% das empresas só formalizam problemas de saúde mental após afastamento do funcionário

Situação expõe lacuna na gestão preventiva antes da vigência da nova NR-1; canais de acolhimento surgem como uma alternativa estratégica

Francielle Mesquita 26/02/2026
58% das empresas só formalizam problemas de saúde mental após afastamento do funcionário
- Foto: Freepik

Um levantamento nacional divulgado pela Revista Exame mostra que 58% das empresas brasileiras só formalizam problemas de saúde mental de seus colaboradores depois que ocorre o afastamento do trabalho. O dado aponta para uma oportunidade de cuidado diante dos riscos psicossociais no ambiente corporativo, em um momento em que as organizações se preparam para atender às exigências da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passa a exigir o mapeamento estruturado do bem-estar emocional no trabalho. 

As empresas têm até 26 de maio de 2026 para consolidar mecanismos formais de acompanhamento e preparo da liderança. Segundo especialistas, a dificuldade em realizar esse monitoramento prévio não afeta apenas a saúde emocional do colaborador, como também gera passivos financeiros e jurídicos. Esse cenário pode ser evitado por meio de ferramentas de escuta ativa, que dão ao RH e às lideranças a visibilidade necessária para cuidar do problema na raiz.. 

Reconhecimento tardio dos problemas

A Contato Seguro, empresa que apoia profissionais de RH com escuta ativa, afirma que a formalização tardia dos quadros clínicos dificulta a comprovação de diligência das organizações. 

Sinais prévios de sofrimento psíquico, como estresse prolongado, sobrecarga, conflitos recorrentes ou situações de assédio, deixam de ser tratados como riscos organizacionais e só entram no radar institucional quando já há impacto direto na operação, no clima interno e nos custos da empresa.

Na prática, a ausência de um fluxo de acolhimento transforma crises individuais em crises institucionais. Um exemplo comum no cotidiano corporativo é o colaborador que, após uma interação ríspida, retorna para casa sem o devido suporte, o que pode desencadear uma crise de ansiedade.

Dessa forma, o colapso do indivíduo deixa de ser um evento isolado e passa a comprometer o clima e a produtividade, evidenciando que a prevenção proativa é o único caminho para evitar que dores pessoais se tornem vulnerabilidades da própria instituição.  

Canal de acolhimento como instrumento de prevenção

Nesse contexto, recursos como o Canal de Acolhimento da Contato Seguro têm sido incorporados para viabilizar o mapeamento dos riscos psicossociais. A empresa, que atua nesse segmento, avalia que a ausência de registros dificulta tanto a prevenção quanto a comprovação de diligência por parte das empresas. 

A ferramenta atua diretamente no combate aos riscos psicossociais por meio da escuta ativa realizada por psicólogos e especialistas qualificados. O diferencial estratégico reside na disponibilidade integral para o atendimento acontecer 24 horas por dia, sete dias por semana. 

Além do suporte humano, o canal de acolhimento desempenha um papel técnico crucial para o compliance na:

  • Documentação e monitoramento: Cada interação é registrada, permitindo o acompanhamento da evolução do clima organizacional.
  • Mapeamento contínuo: A plataforma identifica padrões de comportamento e áreas críticas da empresa.
  • Dados estratégicos: Os relatórios gerados subsidiam a tomada de decisão da alta gestão e do RH, permitindo agir sobre a causa raiz antes que o problema se torne uma estatística de absenteísmo.

De acordo com os especialistas, a proposta com um instrumento desse porte é para ajudar as lideranças a identificarem padrões e recorrências antes que os casos evoluam para afastamentos. Com isso, o RH ganha fôlego e tem acesso a dados para atuar de forma mais estratégica e preventiva na gestão de pessoas.

Com o prazo regulatório se aproximando, o desafio das empresas é usar o período de transição para estruturar processos capazes de antecipar riscos, reduzir impactos e atender às exigências legais.

Prazo regulatório pressiona empresas

Embora as exigências da NR-1 ainda não estejam plenamente em vigor, o prazo para adequação tem levado empresas a revisar práticas internas. O descumprimento das novas diretrizes implica sanções severas. 

Órgãos oficiais estabeleceram multas que podem variar de R$2.396,35 a R$6.708,08 por infração, conforme a gravidade e o porte da instituição para quem não realizar o mapeamento dos riscos exigidos. Em caso de reincidência, o valor pode chegar a até 50 vezes a multa inicial, elevando o passivo financeiro e jurídico.

A Contato Seguro reforça que a implementação de um canal de acolhimento deixa de ser um simples benefício para se tornar um pilar de sustentabilidade do negócio. Ao oferecer o suporte necessário para que o RH atue de forma preventiva e estratégica, a ferramenta assegura que a empresa cumpra a legislação enquanto preserva seu ativo mais valioso: a saúde mental de suas equipes.