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Esquema de fraudes do Banco Master usou "papeis podres" de banco extinto de Santa Catarina

Títulos eram comprados por valores supervalorizados para inflar fundos de investimento; prejuízo pode chegar a R$ 11,5 bilhões

Redação 07/01/2026
Esquema de fraudes do Banco Master usou 'papeis podres' de banco extinto de Santa Catarina

Uma investigação em curso revelou que um suposto esquema de fraudes envolvendo o banco Master utilizou títulos considerados sem valor — os chamados “papéis podres” — originários do extinto Besc (Banco do Estado de Santa Catarina) para inflar artificialmente fundos de investimento e viabilizar desvios milionários.

De acordo com reportagem publicada pela Folha de S.Paulo nesta quarta-feira (7), os papéis físicos, conhecidos como cártulas, representavam ações antigas do Besc, instituição incorporada pelo Banco do Brasil em 2008. Embora esses títulos não tivessem valor econômico real, teriam sido adquiridos por cifras extremamente superiores ao seu preço de mercado.

Segundo um investigador ouvido pela reportagem, gestores de fundos ligados à empresa Reag compravam esses ativos de baixíssimo valor como se fossem aplicações milionárias. Essa prática inflava artificialmente o patrimônio dos fundos, criando uma aparência de solidez financeira e permitindo a realização de retiradas para outros investimentos dentro do próprio grupo empresarial.

COMO FUNCIONAVA O MECANISMO


O esquema operava em três etapas principais:
Aquisição de títulos sem valor real
Papéis antigos do extinto banco catarinense eram comprados, apesar de não possuírem liquidez ou valor de mercado.

Supervalorização artificial

Esses títulos eram contabilizados como ativos milionários dentro dos fundos, elevando de forma fictícia o patrimônio administrado.

Movimentação e possível desvio de recursos
Com os fundos inflados, os gestores justificavam transferências financeiras para outras carteiras e aplicações, abrindo margem para o desvio de recursos.

A suspeita é de que parte do dinheiro movimentado nesse processo tenha sido direcionada para empresas e laranjas ligados ao controlador do banco Master, Daniel Vorcaro.

INVESTIGAÇÃO E VALORES ENVOLVIDOS


Segundo denúncia encaminhada pelo Banco Central ao Ministério Público Federal, o esquema envolvendo a gestora Reag e o banco Master pode ter movimentado cerca de R$ 11,5 bilhões.

As autoridades agora apuram se houve crimes como:

fraude financeira;
manipulação contábil;
lavagem de dinheiro;
gestão temerária;
organização criminosa.

Até o momento, tanto o banco Master quanto a Reag não se pronunciaram oficialmente sobre as acusações.

RISCO PARA INVESTIDORES E PARA O SISTEMA FINANCEIRO


Especialistas apontam que práticas desse tipo representam grave ameaça à credibilidade do sistema financeiro, sobretudo para investidores que confiam em fundos regulados. A manipulação de ativos fictícios compromete a transparência do mercado e pode gerar prejuízos significativos para cotistas, fundos de pensão e instituições parceiras.

Além do impacto econômico direto, o caso também reacende o debate sobre a fiscalização das gestoras de recursos, os mecanismos de auditoria e o papel dos órgãos reguladores na prevenção de fraudes estruturadas.

CASO DEVE TER DESDOBRAMENTOS JUDICIAIS


A expectativa é de que novas diligências sejam realizadas pelo Ministério Público Federal e por órgãos de controle financeiro para identificar responsabilidades, rastrear o destino dos recursos e eventual bloqueio de bens.

O caso pode resultar em ações penais, sanções administrativas e responsabilização civil dos envolvidos, além de reforçar a pressão por aperfeiçoamento dos sistemas de controle e compliance no mercado financeiro brasileiro.